Manter-se sob pressão constante no ambiente profissional pode deixar o sistema nervoso em estado de alerta permanente, favorecer a liberação contínua de hormônios como cortisol e adrenalina e, com isso, aumentar a frequência e a intensidade de dores de cabeça. O alerta é da neurologista Danielle Wilhour, professora-assistente da Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado, em artigo publicado na plataforma The Conversation.
Como o organismo reage
Segundo Wilhour, o estresse pontual ajuda a concentrar a atenção e preparar o corpo para desafios. O problema surge quando essa tensão se torna crônica. Nesse cenário, o corpo entra em “modo luta ou fuga” prolongado, a musculatura de pescoço, ombros e couro cabeludo permanece contraída, e sinais que normalmente seriam ignorados passam a ser percebidos como dor.
Em pessoas com enxaqueca, que já apresentam maior sensibilidade a variações ambientais, o estresse contínuo atua como gatilho e fator agravante. A tensão muscular também favorece as chamadas cefaleias tensionais, comuns após longos períodos sentado e concentrado em frente a telas.
Impacto no sono e na produtividade
O ciclo de estresse permanente dificulta tanto o início quanto a manutenção do sono. Sem descanso reparador, o cérebro fica mais suscetível a novos episódios de dor e perde capacidade de concentração, criatividade e resolução de problemas. A queda na produtividade e o aumento de erros alimentam novamente a sobrecarga emocional.
Medidas para aliviar a tensão
A neurologista afirma que eliminar totalmente o estresse não é viável, mas há estratégias para reduzir seus efeitos:
Imagem: Internet
- Inserir intervalos de cinco a dez minutos entre tarefas para alongar-se, respirar fundo ou simplesmente ficar em silêncio;
- Praticar exercícios regulares, como caminhada, ioga ou alongamentos leves, que estimulam a liberação de endorfinas e melhoram a circulação;
- Ajustar postura e ergonomia, mantendo tela e cadeira na altura adequada e relaxando ombros e mandíbula;
- Adotar técnicas de mindfulness, incluindo meditação e respiração focada, para treinar o cérebro a responder ao estresse com mais flexibilidade;
- Estabelecer limites claros para o expediente, evitando e-mails fora do horário e criando áreas livres de trabalho em casa;
- Procurar avaliação médica se as dores persistirem; tratamentos podem incluir fisioterapia, terapia comportamental ou de reprocessamento da dor.
De acordo com Wilhour, a aplicação constante dessas ações ajuda o sistema nervoso a recuperar o equilíbrio e tende a reduzir gradualmente a frequência e a intensidade das crises de cefaleia.
Com informações de Folha de S.Paulo





