A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), chega aos primeiros seis meses nesta segunda-feira (18) após revelar um esquema que pode ter causado prejuízo de dezenas de bilhões de dólares ao Sistema Financeiro Nacional. Ao longo de seis fases, o inquérito mirou o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e uma rede formada por políticos, executivos, agentes públicos e integrantes da própria corporação.
Desde o início da investigação em janeiro de 2024, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou 21 prisões — temporárias e preventivas —, expediu 116 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio ou sequestro de bens que somam cerca de R$ 27,71 bilhões. As diligências ocorreram na Bahia, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.
Primeira fase – 18/11/2025
Vorcaro foi preso com outras seis pessoas sob suspeita de criar carteiras de crédito sem lastro e vendê-las ao Banco de Brasília (BRB). A Justiça também afastou da direção do BRB o presidente Paulo Henrique Costa e o diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia. No mesmo período, o Banco Central (BC) liquidou instituições do conglomerado Master e congelou os bens de controladores e ex-administradores.
Para ressarcir clientes do grupo, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já desembolsou aproximadamente R$ 49,5 bilhões.
Segunda fase – 14/01/2026
O ministro Dias Toffoli autorizou 42 buscas e apreensões e o bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões. Entre os alvos estavam o empresário Nelson Tanure, o ex-gestor João Carlos Mansur e o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, detido e liberado em seguida.
Terceira fase – 04/03/2026
Vorcaro voltou a ser detido após a PF encontrar mensagens sobre possíveis ataques ao jornalista Lauro Jardim e a ex-empregados. A corporação diz que o banqueiro mantinha uma milícia particular, batizada de “A Turma”, chefiada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, que morreu após tentativa de suicídio em cela da PF. Outros dois suspeitos também foram presos, e cerca de R$ 22 bilhões em bens foram bloqueados. O STF mandou afastar dois ex-chefes do Departamento de Supervisão Bancária do BC.
Quarta fase – 16/04/2026
A etapa focou na suspeita de corrupção de agentes públicos. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o advogado de Vorcaro, Daniel Monteiro, foram presos. A PF aponta que Costa teria combinado propina de R$ 146,5 milhões, dos quais R$ 74 milhões teriam sido pagos.
Imagem: Internet
Quinta fase – 07/05/2026
Mandados atingiram o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, o parlamentar receberia entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais, além de viagens, para defender interesses do Banco Master no Congresso. A chamada “Emenda Master” foi citada como exemplo dessa atuação. Nessa fase, o ministro André Mendonça bloqueou R$ 18,85 milhões dos investigados.
Sexta fase – 14/05/2026
Foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. Dois dias depois, Victor Lima Sedlmaier foi preso em Dubai em ação conjunta com a Interpol. Entre os detidos estão Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e o policial federal Anderson da Silva Lima, acusado de vazar informações sigilosas.
Gravações citam Flávio Bolsonaro
Na semana passada, o portal The Intercept Brasil divulgou áudios em que o senador Flávio Bolsonaro pede recursos a Vorcaro para o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador confirmou a conversa e afirmou que os R$ 61 milhões recebidos, de um total acertado de R$ 134 milhões, foram destinados à produção.
As investigações seguem sob supervisão do STF, que segue avaliando novos pedidos de prisão, busca e bloqueio de bens relacionados ao caso.
Com informações de Agência Brasil





