Pioneiro do DNA, Friedrich Miescher segue pouco lembrado 150 anos após a descoberta

Basel, Suíça – Há 153 anos, o bioquímico suíço Friedrich Miescher identificou, em um laboratório improvisado no castelo de Tübingen, a molécula que hoje é reconhecida como ácido desoxirribonucleico (DNA). Mesmo apontado como o primeiro cientista a isolar a substância responsável pela hereditariedade, seu nome continua ausente da maior parte das comemorações ligadas à genética.

Do pus hospitalar à “nucleína”

Nascido em 1844, Miescher abandonou a carreira médica após perder parte da audição e passou a pesquisar a química da vida. Entre 1868 e 1869, raspou curativos descartados de um hospital local em busca de glóbulos brancos, mais fáceis de isolar do que células de tecidos sólidos. Nessas células, encontrou um composto rico em fósforo e restrito ao núcleo, diferente das proteínas conhecidas. Batizou-o de “nucleína”.

Em 1871, divulgou a descoberta no artigo “Sobre a composição química das células do pus”. A publicação, embora técnica, lançou as bases para a biologia molecular e antecedeu em quase um século a descrição da dupla hélice feita por James Watson e Francis Crick, laureada com o Prêmio Nobel em 1962.

Salmões do Reno como nova fonte

De volta a Basel, Miescher trocou os curativos por salmões que subiam o rio Reno para desovar. Os testículos dos peixes, repletos de DNA, tornaram-se matéria-prima abundante para suas experiências. Paralelamente, o pesquisador assumiu tarefas administrativas, auxiliou a indústria pesqueira local e colaborou com o governo suíço em projetos de alimentação carcerária, o que reduziu o tempo dedicado ao laboratório.

Últimos anos e legado

Sobrecarregado, o cientista comparava-se ao mito de Sísifo. Em 1890, contraiu tuberculose e mudou-se para um sanatório em Davos, onde propôs que as variações biológicas fossem explicadas por alterações estruturais de uma grande molécula, então tida como proteica. Miescher não chegou a relacionar definitivamente a nucleína ao mecanismo hereditário. Morreu em 1895, aos 51 anos, acreditando ter falhado.

Pioneiro do DNA, Friedrich Miescher segue pouco lembrado 150 anos após a descoberta - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Seu mentor, o fisiologista Carl Ludwig, previu que “os descendentes agradecidos” reconheceriam o feito. Embora as tecnologias baseadas em DNA revolucionem a medicina e a biologia, o nome de Miescher permanece quase desconhecido fora dos círculos acadêmicos.

Com informações de Folha de S.Paulo

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