O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (18) novas medidas de controle sanitário para conter o risco de introdução do ebola no país, após a confirmação de um surto da doença na República Democrática do Congo (RDC).
As regras, divulgadas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), preveem a suspensão, por 30 dias, da entrada de viajantes que tenham estado na RDC, em Uganda ou no Sudão do Sul nos 21 dias anteriores ao embarque. A restrição abrange pessoas de qualquer nacionalidade, com exceção de cidadãos norte-americanos, residentes permanentes legais, militares, funcionários do governo dos EUA no exterior e seus familiares próximos.
Além da suspensão, aeroportos norte-americanos passarão a realizar triagens específicas e a monitorar passageiros provenientes dos três países africanos. Segundo o CDC, o período de incubação do vírus — que pode chegar a três semanas — amplia o risco de que indivíduos assintomáticos atravessem fronteiras internacionais.
Surto declarado emergência internacional
As medidas foram tomadas um dia depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificar o surto na RDC como emergência de saúde pública de interesse internacional. A província congolesa de Ituri registra aproximadamente 246 casos suspeitos, oito confirmações laboratoriais e cerca de 80 mortes em investigação.
Dois casos também foram confirmados em Kampala, capital de Uganda, elevando a preocupação sobre a disseminação regional do vírus.
Cepa Bundibugyo sem vacina específica
O atual surto é provocado pela cepa Bundibugyo do ebola, diferente da variante Zaire — para a qual existem vacinas e tratamentos aprovados. Até o momento, não há imunizante ou terapia específica para a Bundibugyo.
Profissional de saúde norte-americano infectado
No mesmo dia do anúncio, o CDC confirmou que um médico americano que atuava em uma organização missionária cristã na RDC testou positivo para ebola. Ele apresentou sintomas durante o fim de semana e, juntamente com outras seis pessoas expostas, será transferido para a Alemanha para tratamento especializado.
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Reforço da vigilância e impacto consular
O CDC informou que ampliará o rastreamento de contatos, a capacidade de exames laboratoriais e a preparação de hospitais para eventuais casos suspeitos. Companhias aéreas e autoridades de imigração deverão colaborar na identificação de passageiros possivelmente expostos.
Em consequência do surto, a embaixada dos EUA em Uganda suspendeu temporariamente todos os serviços de visto no país.
Resposta internacional
A OMS enviou equipamentos de proteção adicionais para as áreas afetadas, enquanto o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças mobilizou especialistas para apoiar a resposta regional. Autoridades congolesas associam a propagação inicial do vírus a uma procissão funerária realizada em abril na cidade de Mongbwalu.
Identificado pela primeira vez em 1976, o ebola já provocou 17 surtos na República Democrática do Congo. A taxa média de letalidade gira em torno de 50%, podendo variar de 25% a 90%, segundo a OMS.
Com informações de Folha de S.Paulo





