Fóssil de 425 milhões de anos revela como parentes das centopeias já estavam prontos para viver em terra

Cientistas identificaram em Wisconsin (EUA) uma nova espécie de miriápode que viveu há cerca de 425 milhões de anos e possuía características compatíveis com a vida fora da água, bem antes da colonização definitiva do ambiente terrestre por esse grupo de artrópodes.

O estudo, liderado pelo paleontólogo Derek Briggs, da Universidade de Yale, foi publicado em 6 de maio na revista Proceedings of the Royal Society B. A equipe examinou 35 fósseis encontrados em uma pedreira no município de Waukesha, região metropolitana de Milwaukee, e guardados no Museu de Geologia da Universidade de Wisconsin, em Madison.

Espécie batizada de Waukartus muscularis

O animal recebeu o nome Waukartus muscularis. Seu corpo flexível tinha 11 segmentos, terminava em duas estruturas laminadas de função ainda desconhecida e era coberto por pares de apêndices, inclusive um conjunto reduzido na frente da cabeça que pode ter servido para alimentação ou percepção do ambiente.

As pernas curtas e segmentadas lembram as dos atuais piolhos-de-cobra, mas se destacam por não apresentarem ramos nem estruturas semelhantes a brânquias, comuns em trilobitas contemporâneos. Para os pesquisadores, isso indica que os miriápodes já haviam simplificado seus membros para locomoção terrestre mesmo enquanto permaneciam no fundo marinho.

Preservação excepcional

Durante o período Siluriano inicial, há aproximadamente 437 milhões de anos, a região de Waukesha era uma baía rasa, salgada e pobre em oxigênio perto do equador. Tapetes microbianos depositados sobre os cadáveres criaram condições que preservaram finos detalhes anatômicos, como músculos fossilizados substituídos por francolita, pequenos olhos e, em um caso, indícios de um possível coração.

Fóssil de 425 milhões de anos revela como parentes das centopeias já estavam prontos para viver em terra - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Para Briggs, essa “vantagem estrutural” ajudou os miriápodes a conquistar a terra firme. O entomólogo Paul Marek, da Virginia Tech, que não participou da pesquisa, acrescenta que fósseis do mesmo intervalo temporal podem revelar outros grupos em transição para ambientes terrestres.

Com informações de Folha de S.Paulo

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