Em coluna publicada em maio de 2026, o jornalista especializado em ciência e meio ambiente Marcelo Leite descreve o que chama de “era da psicose artificial”, marcada pela difusão de mentiras tanto na política quanto na produção acadêmica.
Mentiras na política
Leite recorda o episódio em que um pré-candidato à Presidência negou ter solicitado R$ 134 milhões, voltou a mentir ao ser confrontado e alegou que uma cláusula de sigilo contratual o obrigava a ocultar a verdade. Segundo o colunista, a falsa justificativa não provocou reação significativa entre apoiadores do político.
Disputa de narrativas
Na avaliação do jornalista, a atual disputa pública privilegia a “narrativa” em detrimento de fatos verificados, inclusive em debates sobre conflitos no Irã, na Faixa de Gaza e na Ucrânia. Ele menciona ainda a circulação de teorias sem comprovação, como o uso de cloroquina, proxalutamida e ivermectina contra a Covid-19, além de fake news que desestimulam a vacinação.
Cultura do cancelamento
Leite cita a repercussão negativa sofrida pela artista Marília Marz, acusada de debochar da morte de uma juíza após publicar uma charge sobre penduricalhos do Judiciário. O jornalista afirma que a reação foi potencializada por setores corporativistas.
Impacto na ciência
O colunista lembra que fraudes já eram conhecidas na pesquisa acadêmica, como apontado pela microbiologista Elizabeth Bik, mas ressalta que ferramentas digitais e inteligência artificial baratearam e ampliaram essas práticas. Como exemplo, ele destaca estudo liderado por Zhenyue Zhao. A equipe analisou 111 milhões de referências presentes em 2,5 milhões de artigos de 2023 hospedados em bases como arXiv, bioRxiv, SSRN e PubMed, identificando 146.932 citações inexistentes.
Imagem: Internet
Leite conclui que a facilidade de produzir textos e dados falsos coloca em risco a integridade do conhecimento científico e amplia a propagação de informações enganosas em diferentes esferas da sociedade.
Com informações de Folha de S.Paulo





