Estudo genômico localiza a primeira domesticação do algodão no noroeste da península de Yucatán

Cientistas mapearam, pela primeira vez, o ponto de origem da cultura de algodão mais cultivada no mundo, a espécie Gossypium hirsutum. A análise, publicada nesta segunda-feira (18) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), indica que a domesticação ocorreu há pelo menos 4 mil anos — possivelmente 7 mil — no noroeste da península de Yucatán, no atual México.

A equipe comparou o genoma da planta hoje cultivada com variedades selvagens encontradas em Yucatán, na Flórida (Estados Unidos) e nas ilhas caribenhas de Porto Rico e Guadalupe. O DNA do algodão doméstico mostrou maior semelhança com as populações silvestres de Yucatán, revelando a região como berço da cultura.

“As formas selvagens são arbustos lenhosos ou pequenas árvores, com poucas flores e sementes menores. Grupos humanos se interessaram por essas fibras e iniciaram um processo de seleção que, ao longo de milênios, levou ao algodão moderno”, explicou Jonathan Wendel, botânico e biólogo evolucionista da Universidade Estadual de Iowa (EUA) e coautor do estudo.

Corrinne Grover, geneticista da mesma instituição, ressaltou que os primeiros agricultores fiavam manualmente as fibras para produzir tecidos, redes de pesca, cordas e outros artefatos. Após a conquista espanhola das Américas, no século 16, a espécie foi levada a outros continentes e hoje responde por cerca de 90% da produção mundial, liderada por China, Índia, Estados Unidos e Brasil.

Perda de diversidade genética

Os pesquisadores identificaram forte redução da variabilidade genética em G. hirsutum domesticado, resultado de séculos de seleção. Essa perda pode limitar a capacidade de adaptação da cultura a novas pragas ou mudanças ambientais. “Genes úteis, descartados inadvertidamente, podem ser reintroduzidos a partir de linhagens silvestres”, afirmou Grover.

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Imagem: Internet

Outras espécies de algodão

Além de G. hirsutum, mais três espécies foram domesticadas: G. barbadense (fibra extra-longa, originada no Peru ou Equador e hoje com 5% do mercado), G. arboreum (subcontinente indiano) e G. herbaceum (África Subsaariana e Península Arábica).

Impacto histórico

O algodão superou outras fibras naturais, como linho, juta e cânhamo, em volume e valor. A invenção do descaroçador, no final do século 18, acelerou o processamento, aumentou a lucratividade e impulsionou a expansão da escravidão no sul dos Estados Unidos. “Trata-se de uma cultura com história complexa, marcada por exploração, mas também profundamente integrada ao cotidiano de populações em todo o planeta”, concluiu Grover.

Com informações de Folha de S.Paulo

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