Mandy Rosenberg, 35, sempre ouviu elogios pela combinação de cabelos loiros, porte atlético e olhos azuis. Mesmo assim, passava horas diante do espelho analisando uma mancha quase imperceptível na testa. “Se eu não conseguisse fazer aquilo sumir, não queria mais viver”, relatou. O comportamento era resultado de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) associado ao transtorno dismórfico corporal (TDC), condição que provoca preocupação extrema com supostos defeitos físicos.
O que é o TDC
Segundo a psiquiatra Katharine Phillips, professora da Weill Cornell Medicine e do NewYork-Presbyterian, pessoas com TDC sentem-se indesejadas e acreditam que serão rejeitadas pela aparência. A doença surge, em média, na adolescência e atinge de 2% a 3% da população — percentual que pode ser maior por causa do subdiagnóstico.
Estudos do professor de psiquiatria Jamie Feusner, da Universidade de Toronto, mostram menor atividade em áreas cerebrais que processam imagens de forma global. Ele compara a percepção do paciente a “olhar uma janela com uma mancha e concluir que toda a janela está estragada”.
Sintomas frequentes
Entre os sinais estão isolamento social, faltas ao trabalho ou à escola e rituais prolongados diante do espelho. Alguns pacientes buscam cirurgias plásticas, tratamentos dermatológicos ou passam horas pedindo validação a chatbots de inteligência artificial, conta o terapeuta californiano Chris Trondsen.
O TDC costuma vir acompanhado de depressão, fobia social, TOC e transtorno por uso de substâncias. Metanálise recente aponta que 66% dos pacientes pensam em suicídio e 35% chegam a tentar.
Imagem: Internet
Formas de tratamento
A terapia cognitivo-comportamental (TCC), especialmente a técnica de exposição e prevenção de resposta, leva mais da metade dos casos à remissão. Inibidores seletivos de recaptação de serotonina, em doses altas, também são utilizados; especialistas indicam a combinação de medicação e TCC em quadros graves.
Em tratamento, Rosenberg criou um diagrama para lembrar a si mesma de outras facetas de sua identidade — filha, cristã, professora, amante de animais. “Meu corpo não pode determinar como vou viver o meu dia”, afirma.
Com informações de Folha de S.Paulo





