Sentir queimação no peito ou na garganta após as refeições é comum, mas a azia diária merece investigação. Segundo a nutróloga Isolda Prado, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), e o gastroenterologista Áureo Delgado, membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), episódios que se repetem duas ou mais vezes por semana ou persistem por mais de três meses podem sinalizar doença do refluxo gastroesofágico.
Por que a azia acontece?
O desconforto surge quando o conteúdo ácido do estômago retorna ao esôfago. Isso ocorre, explicam os especialistas, porque o esfíncter esofágico inferior se mostra temporariamente relaxado ou incompetente, permitindo o refluxo e irritando uma mucosa que não possui a mesma proteção gástrica.
Hábitos que favorecem o refluxo
Entre os principais gatilhos estão:
- Refeições muito volumosas, que distendem o estômago e aumentam a pressão interna.
- Ingestão rápida dos alimentos, dificultando a digestão.
- Consumo de líquidos durante a refeição, especialmente bebidas gaseificadas.
Alimentos que pioram ou aliviam o sintoma
Frituras, comidas ricas em gordura, chocolate, café, álcool, refrigerantes, pratos muito condimentados, cítricos e tomate costumam agravar a queimação. Contudo, Delgado frisa que a resposta é individual: se um alimento classificado como gatilho não provoca azia, não é necessário excluí-lo.
Para aliviar o incômodo, a recomendação é dar preferência a itens de fácil digestão e baixo teor de gordura, como vegetais, aveia, banana e alimentos ricos em fibras, que contribuem para esvaziamento gástrico mais eficiente.
Medicamentos e quando procurar um profissional
Antiácidos e inibidores de bomba de prótons, como o omeprazol, aliviam crises ocasionais, mas são medidas paliativas. A avaliação médica é indicada quando a azia se repete ao menos duas vezes por semana, dura mais de três meses ou vem acompanhada de fatores de risco — idade acima de 50 anos, obesidade, sexo masculino, tabagismo ou histórico familiar de câncer do aparelho digestivo.
Dúvidas comuns
Bicarbonato de sódio: pode aliviar temporariamente a queimação, mas o uso frequente traz riscos, como distensão abdominal, produção excessiva de gás, alcalose metabólica e sobrecarga de sódio. É contraindicado para hipertensos e pessoas com doenças cardiovasculares.
Imagem: Internet
Deitar após comer: especialistas recomendam esperar, no mínimo, duas horas antes de se deitar. A posição horizontal facilita o refluxo pela perda do auxílio da gravidade.
Leite: o efeito é variável. Pode aliviar momentaneamente, mas, sobretudo na versão integral, estimula a produção de ácido posteriormente e pode agravar o desconforto em algumas pessoas.
Azia ocasional costuma responder a ajustes na alimentação e no estilo de vida. Já a forma persistente exige diagnóstico preciso para evitar complicações associadas ao refluxo não tratado.
Com informações de Folha de S.Paulo





