A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta terça-feira (5) a detecção de sete infecções por hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, fundeado próximo a Cabo Verde. Dois resultados foram validados em laboratório e outros cinco permanecem como suspeitos. Três passageiros morreram.
Entre os óbitos estão um cidadão alemão e um casal holandês. Um passageiro britânico foi desembarcado e está internado em estado grave em Joanesburgo, na África do Sul. Outros três pacientes suspeitos continuam na embarcação, um deles apresentando febre leve.
Possível transmissão entre pessoas
A diretora de preparação e prevenção contra epidemias da OMS, Maria Van Kerkhove, afirmou que a agência trabalha com a hipótese de contágio entre indivíduos que mantiveram contato muito próximo, como casais que compartilharam cabine. O casal holandês, considerado o ponto inicial do surto, teria sido infectado em terra durante atividades de observação de aves na Argentina. A partir daí, teria ocorrido transmissão a bordo.
Segundo a OMS, o agente envolvido seria o hantavírus Andes, cepa presente na América do Sul e já associada a transmissão pessoa a pessoa.
Roteiro do navio e cronologia das mortes
O MV Hondius partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em março, para uma expedição de luxo pela Antártida, ilha Geórgia do Sul e Tristão da Cunha. As passagens custavam entre €14 mil e €22 mil (cerca de R$ 88 mil a R$ 139 mil). A bordo estão aproximadamente 150 viajantes, principalmente britânicos, norte-americanos e espanhóis.
O primeiro óbito, de um holandês de 70 anos, ocorreu em 11 de abril. O corpo permaneceu no navio até 24 de abril, quando foi desembarcado na ilha de Santa Helena juntamente com a esposa, que já apresentava sintomas gastrointestinais. Ela embarcou em voo para Joanesburgo no dia seguinte e morreu em 26 de abril; o diagnóstico foi confirmado em 4 de maio.
Autoridades sul-africanas monitoram os passageiros que estavam no mesmo voo, enquanto a OMS planeja transferir os dois pacientes ainda a bordo para os Países Baixos antes de o navio seguir rumo às Ilhas Canárias. Passageiros sintomáticos e equipes médicas utilizam equipamentos de proteção individual completos, e suprimentos adicionais foram enviados ao navio, que passa por desinfecção. A OMS informou não haver registro de roedores a bordo.
Imagem: Internet
Situação epidemiológica e destino do navio
Embora o Hondius mantenha rota para o arquipélago espanhol, o governo da Espanha declarou não ter tomado decisão sobre receber a embarcação até avaliar os dados recolhidos em Cabo Verde. O vice-presidente das Ilhas Canárias, Manuel Domínguez, sugeriu que o navio siga diretamente para o território continental.
Sobre o hantavírus
Transmitido principalmente por contato com fezes, urina ou saliva de roedores silvestres, o hantavírus provoca quadro inicial semelhante ao da gripe, podendo evoluir para insuficiência cardíaca e pulmonar. A taxa de letalidade estimada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos é de 40%. Não há tratamento específico; a terapia é de suporte.
No Brasil, foram notificados 2.377 casos entre 1993 e 2024, com 540 mortes. Em 2025, o Ministério da Saúde registrou 28 ocorrências e, nos primeiros quatro meses de 2026, outras seis.
Com informações de Folha de S.Paulo





