Cerca de 1,7 milhão de brasileiros convivem com o glaucoma, doença que provoca perda visual permanente, segundo o oftalmologista Roberto Murad Vessani, presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG). Para ampliar o diagnóstico precoce, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a SBG iniciaram, nesta segunda-feira (4), a campanha “24 dias de cuidado e conscientização”.
Ao longo de 24 dias, ações informativas serão realizadas em diferentes regiões do país. Prédios e monumentos de capitais receberão iluminação verde, cor que simboliza a luta contra a doença, para chamar a atenção da população.
Quem corre mais risco
O grupo de maior vulnerabilidade inclui pessoas com mais de 40 anos, negros e pardos, além de portadores de condições como diabetes, hipertensão, doenças da tireoide, apneia do sono, alta miopia ou hipermetropia. Histórico familiar também eleva a probabilidade de desenvolver o problema.
Como o glaucoma age
A doença danifica gradualmente o nervo óptico, responsável por levar as informações visuais ao cérebro. A forma mais comum, o glaucoma primário de ângulo aberto, evolui sem sintomas iniciais; já a versão de ângulo fechado pode provocar dor ocular, visão embaçada e halos coloridos em função do aumento súbito da pressão intraocular.
Sinais de alerta
Em muitos casos, o diagnóstico só ocorre quando a perda de campo visual já é relevante. Bater em objetos laterais, tropeçar em degraus e derrubar itens ao atravessar espaços estreitos são situações frequentes relatadas por pessoas que descobrem a doença tardiamente.
Importância da pressão ocular
Valor elevado da pressão dentro do olho favorece o comprometimento do nervo óptico. Durante a consulta, o oftalmologista mede essa pressão e avalia o nervo; se encontrar alterações, solicita exames complementares.
Frequência de consultas
Quem tem familiar com glaucoma deve consultar o especialista ao menos uma vez por ano. Se houver suspeita, o retorno pode ser semestral. O intervalo ideal é definido na primeira avaliação.
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Opções de tratamento
Colírios, procedimentos a laser ou cirurgia reduzem a velocidade de progressão, mas não curam a enfermidade. A intervenção cirúrgica é indicada quando os medicamentos não controlam a pressão intraocular ou quando a perda visual avança. O procedimento cria um canal de drenagem para estabilizar ou retardar o dano.
Atendimento pelo SUS
O acesso ao tratamento na rede pública começa na Unidade Básica de Saúde (UBS). O Ministério da Saúde fornece colírios de primeira, segunda e terceira linhas, distribuídos a cada três meses. A combinação e o intervalo de aplicação são definidos pelo médico para evitar interferência entre os medicamentos.
O glaucoma costuma afetar os dois olhos de forma assimétrica, embora existam tipos unilaterais associados a traumas, inflamações ou cirurgias prévias. O risco também aumenta conforme o grau de miopia cresce.
Especialistas reforçam que a visão perdida não pode ser recuperada, tornando fundamental a detecção precoce e o acompanhamento regular.
Com informações de Folha de S.Paulo





