A escritora Alice S., responsável pela coluna “Vida de Alcoólatra” na Folha, publicou novo texto em que relata as dificuldades de conviver simultaneamente com alcoolismo e transtorno bipolar. No depoimento, ela afirma ter consciência do impacto que seu comportamento causa na família e reconhece o esforço dos parentes para ajudá-la a manter a sobriedade.
Segundo Alice, episódios de agressividade verbal, mentiras para consumir bebida e tentativas de fuga de casa marcaram sua trajetória com o álcool, iniciado na adolescência. “Imagina as infindáveis situações que eles já tiveram que aturar porque sou alcoólatra. E ainda por cima bipolar”, escreve.
Um dos momentos lembrados ocorreu quando parentes a impediram de sair de casa após descobrirem que ela bebia em um bar vizinho ao local onde prestava serviço temporário. Mesmo assim, conta ter inventado uma desculpa profissional para deixar o quarto: “Alice, tenho certeza de que você só quer beber”, teria afirmado a irmã, que impediu a nova recaída.
Diagnóstico de bipolaridade
A colunista relata que, embora o transtorno bipolar não seja novidade em sua vida, a confirmação médica trouxe peso extra para as relações em casa. “Dar um nome à coisa, ao comportamento, pesou na família”, observa, acrescentando que mesmo com explosões ocasionais continua recebendo apoio incondicional.
Primeiros sinais na infância
A autora lembra sentir “pavor do mundo” aos sete anos, quando não se afastava da mãe e gritava temer estar morrendo. Na juventude, o álcool tornou-se refúgio constante “até a última dose”. Em seu ponto mais crítico, já em fase adulta, diz ter bebido chorando sozinha dentro de casa.
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Estratégias de manutenção
Hoje, na faixa dos 40 anos, Alice afirma que a recuperação exige esforço diário. O processo inclui acompanhamento médico, terapia, amigos, atividades prazerosas e a companhia de um cachorro. Também cita o cultivo de plantas e a alimentação equilibrada como recursos para enfrentar momentos de culpa, rancor ou tristeza.
Em mensagem a leitores que enfrentam situação semelhante, a colunista recomenda paciência: “O difícil dura um bom tempo, mas passa”. Para ela, vitórias pontuais indicam que “no cômputo geral” a batalha está sendo vencida.
Com informações de Folha de S.Paulo





