Robô autônomo acompanha vocalizações de cachalotes em tempo real no Caribe

Cientistas do Projeto Ceti (Iniciativa de Tradução de Cetáceos) anunciaram o uso de um robô subaquático capaz de rastrear, em tempo real, os cliques das baleias-cachalote no mar do Caribe. A tecnologia, descrita em estudo divulgado nesta semana na revista Scientific Reports, permite acompanhar os animais por períodos prolongados e registrar suas comunicações de forma inédita.

Como funciona o sistema

O equipamento, um planador submarino autônomo, opera com quatro hidrofones que identificam as codas — sequências padronizadas de cliques usados pelos cetáceos para se orientar, caçar e interagir. Ao captar os sons, um software de bordo determina a direção da fonte e envia ordens ao sistema de navegação, ajustando a rota para manter o robô próximo aos animais.

Segundo David Gruber, professor do Baruch College da Universidade da Cidade de Nova York e diretor-executivo do Projeto Ceti, o recurso chamado “backseat driver” permite que o planador tome decisões sem intervenção humana. “Ele age como um explorador silencioso, subindo e descendo lentamente ao alterar a própria flutuabilidade, semelhante a um albatroz planando”, afirmou.

Vantagens sobre métodos tradicionais

Técnicas convencionais dependem de etiquetas de sucção, que se desprendem após alguns dias, ou de hidrofones fixos, que perdem contato quando a baleia se afasta. O novo sistema atualiza continuamente sua trajetória, possibilitando o acompanhamento de um mesmo indivíduo ou grupo durante semanas ou meses, o que transforma “encontros breves em relacionamentos contínuos”, de acordo com Gruber.

Essa permanência prolongada ao lado dos cachalotes pode esclarecer como filhotes aprendem padrões vocais das mães, de que forma os grupos se coordenam e como respondem ao ambiente. A equipe também pretende investigar mudanças na comunicação diante do ruído gerado por navios, construção offshore e pesca, produzindo dados que embasem políticas de conservação, como redução de velocidade de embarcações ou restrições sazonais em áreas sensíveis.

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Imagem: Internet

Limitações atuais

Embora detecte a direção das vocalizações, o planador ainda não determina a posição exata das baleias, o que dificulta diferenciar indivíduos. Além disso, o robô precisa emergir a cada poucas horas para transmitir dados e receber comandos, tornando o monitoramento menos contínuo em condições reais.

Mesmo com esses desafios, Gruber considera o primeiro teste de autonomia um marco: “Estamos começando a construir sistemas que operam de forma independente e respondem ao mundo natural à medida que ele acontece”.

Com informações de Folha de S.Paulo

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