Pesquisas com hamsters e camundongos que perderam cones e bastonetes — as estruturas clássicas de detecção de luz — revelaram a existência das ipRGCs, sigla em inglês para “células ganglionares da retina intrinsecamente fotossensíveis”. Mesmo sem os dois receptores tradicionais, os animais continuaram a ajustar seu ciclo diário de sono e vigília, apontando que as ipRGCs assumem essa função.
Ao contrário dos cones, que captam luz intensa e permitem visão colorida, e dos bastonetes, que operam com pouca claridade, as ipRGCs respondem de forma progressiva. Seus pigmentos demoram minutos ou horas para atingir a plena sensibilidade luminosa e exigem maior intensidade de luz, característica adequada para indicar ao corpo a transição clara-escuro ao longo do dia.
A descoberta é um dos temas centrais de “Biotempo: Origem e Evolução do Relógio Biológico”, obra do biólogo Tiago Andrade, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O livro, lançado pela Editora da Unicamp, reúne evidências de como organismos, das bactérias fotossintetizantes aos mamíferos, desenvolveram mecanismos internos para antecipar variações ambientais.
Segundo Andrade, a lentidão das ipRGCs garante que apenas períodos de luminosidade contínua sejam interpretados como “dia” pelo cérebro, evitando ajustes errôneos causados por flashes rápidos de luz.
Imagem: Internet
“Biotempo” tem 176 páginas e chega ao mercado por R$ 101. Além de detalhar a função das ipRGCs, o autor discute impactos da iluminação artificial constante sobre a saúde humana e investiga hábitos de atividade diurna ou noturna em espécies extintas, como os dinossauros.
Com informações de Folha de S.Paulo





