O geneticista norte-americano Craig Venter morreu aos 79 anos em decorrência de complicações do tratamento contra um tumor, fato que reviveu a memória da cerimônia realizada em junho de 2000, quando a conclusão do mapeamento do genoma humano foi anunciada na Casa Branca.
Naquele evento, Venter dividiu o palco com o então diretor do Centro Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, Francis Collins, e com os líderes políticos Bill Clinton, presidente dos Estados Unidos, e Tony Blair, primeiro-ministro do Reino Unido. A solenidade marcou o reconhecimento simultâneo de duas iniciativas que disputavam a decifração dos 3 bilhões de pares de bases do DNA humano: o Projeto Genoma Humano, financiado pelo governo norte-americano ao custo de US$ 3 bilhões, e o trabalho da empresa Celera Genomics, fundada e comandada por Venter.
Venter foi responsável por introduzir o método de sequenciamento em alta velocidade conhecido como shotgun, que fragmenta o DNA em pequenos trechos para posterior remontagem por computador, estratégia considerada decisiva para acelerar a identificação de genes.
Profecia de Clinton e realidade atual
Durante o anúncio de 2000, Clinton declarou que “os filhos de nossos filhos só conheceriam o câncer como uma constelação de estrelas”, em referência à esperança de que a genômica tornasse a doença plenamente controlável. Quase 26 anos depois, o próprio Venter não resistiu ao avanço de um tumor, sublinhando a distância entre a expectativa da época e os resultados alcançados até agora.
Contexto político do período
À época do anúncio, o governo Clinton enfrentava os efeitos do processo de impeachment ligado ao caso Monica Lewinsky e havia lançado, no fim de 1998, a Operação Raposa do Deserto contra o Iraque, com o argumento de eliminar armas de destruição em massa. O artigo também menciona a atual operação norte-americana chamada Fúria Épica contra o Irã, conduzida pelo ex-presidente Donald Trump, e faz um paralelo histórico entre as duas ações militares.
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Paralelos com a crise climática
O texto recorda ainda que, em 1992, quase dez anos antes do anúncio sobre o genoma, líderes mundiais assinaram no Rio de Janeiro a Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que propunha reduzir emissões de CO₂. Segundo a coluna, sucessivas conferências culminaram na COP30, em Belém, mas não conseguiram definir um caminho consistente para a transição energética. Em resposta, 57 países se reuniram recentemente em Santa Marta, na Colômbia, para buscar alternativas fora do escopo dos grandes emissores — Estados Unidos, China, Rússia e Índia não participaram do encontro.
A morte de Craig Venter, figura central da era da genômica, encerra um capítulo que começou com grandes expectativas sobre o combate a doenças como o câncer e prossegue com desafios científicos, políticos e ambientais ainda em aberto.
Com informações de Folha de S.Paulo





