Centros de emagrecimento na China impõem pesagem diária e fiscalização rigorosa a participantes

Vídeos que circulam nas redes sociais chinesas mostram fileiras de pessoas fazendo exercícios em ginásios, esperando a vez na cantina e dormindo em dormitórios coletivos. As imagens pertencem a acampamentos de perda de peso que ganharam o apelido de “prisões para obesos” devido às regras rígidas impostas aos frequentadores.

De acordo com a imprensa local, existem cerca de mil unidades desse tipo espalhadas pelo país. Uma estadia de 30 dias, que inclui alojamento, alimentação e treinamento físico diário, custa aproximadamente US$ 600 (cerca de R$ 3 mil).

Rotina militar

A criadora de conteúdo sino-canadense TL Huang relatou à BBC ter passado 28 dias em um desses centros, período no qual perdeu 6 kg. Ela descreveu o local como “uma prisão”, já que não pôde sair durante o programa e tinha de se pesar duas vezes por dia, às 7h30 e às 19h30.

O dia começava com a balança e seguia com quatro horas de atividades que incluíam aulas de spinning, trampolim, HIIT, sessões de Tabata e levantamento de peso. Após o jantar, os participantes ainda realizavam uma aula extra de spinning antes da segunda pesagem.

Refeições eram controladas: no café da manhã, por exemplo, serviam-se quatro ovos cozidos, meio tomate e duas rodelas de pepino. Instrutores fiscalizavam armários e pertences para impedir a entrada de alimentos considerados não saudáveis e exigiam presença integral nas aulas.

Riscos apontados por especialistas

Para o nutricionista e personal trainer britânico Luke Hanna, programas que objetivam a perda de até 1 kg por dia ultrapassam os limites seguros, mesmo quando há supervisão médica. Ele alerta para a possibilidade de redução significativa de massa muscular, impactos no desenvolvimento de jovens e aumento do risco de transtornos alimentares.

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) recomenda emagrecimento gradual, entre 0,5 kg e 1 kg por semana, aliado a mudanças sustentáveis de hábitos, ingestão adequada de proteínas e prática de exercícios por prazer, não como punição.

Popularização e contexto cultural

Os acampamentos começaram a ganhar destaque nos anos 2000, após a exibição de um reality show sobre emagrecimento. Nos últimos dez anos, a exposição nas redes sociais impulsionou ainda mais a procura: enquanto alguns centros instalam câmeras para impedir pedidos de comida por delivery, outros oferecem versões luxuosas, com esteiras diante de paisagens naturais.

Centros de emagrecimento na China impõem pesagem diária e fiscalização rigorosa a participantes - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

A demanda também reflete a situação de sobrepeso no país. Estimativas oficiais indicam que 34% dos adultos chineses têm sobrepeso e 16% são obesos. Segundo analistas, a sociedade chinesa apresenta baixa tolerância à diversidade de peso, o que gera discriminação no trabalho e na vida social.

Dieta rica em carboidratos refinados, como arroz e macarrão, além do sedentarismo associado ao uso constante de celulares e tablets, contribuem para o aumento dos índices.

Novos desafios

Depois da experiência na China, TL Huang viajou à Tailândia para um novo programa de 30 dias, com duas horas diárias de exercícios sob calor intenso. Em vídeos recentes, ela relata dificuldades para retomar a alimentação habitual após os períodos de restrição.

Especialistas lembram que resultados rápidos podem ser temporários caso as causas do ganho de peso não sejam tratadas. Mesmo assim, os centros de emagrecimento intensivo continuam a atrair interessados em busca de soluções imediatas.

Com informações de Folha de S.Paulo

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