Pesquisadores criam mapa preciso dos 1.100 receptores olfativos no nariz de camundongos

Dois grupos independentes de cientistas apresentaram nesta terça-feira (data de publicação dos artigos) o primeiro retrato completo da distribuição dos receptores de odor no nariz de camundongos. Os estudos, publicados na revista Cell, mostram que os 1.100 tipos de receptores olfativos conhecidos nessa espécie não estão espalhados ao acaso: cada um ocupa uma localização definida e reproduzível entre animais diferentes.

As equipes, lideradas pelos neurobiólogos Sandeep Robert Datta e Catherine Dulac, ambos da Universidade Harvard (EUA), combinaram técnicas de sequenciamento genético de célula única com métodos de imagem espacial de alta resolução. O cruzamento dessas abordagens permitiu identificar, ao mesmo tempo, quais genes estavam ativos em cada neurônio olfativo e onde essas células se encontravam dentro do tecido nasal.

Organização espacial consistente

Os mapas resultantes revelam um padrão topográfico claro: dentro de zonas já conhecidas no epitélio olfativo, cada tipo de receptor aparece sempre no mesmo ponto. Conjuntos equivalentes de neurônios no bulbo olfativo, primeira estação cerebral da informação sobre cheiros, exibem arranjo que espelha o desenho encontrado no nariz.

Em experimentos adicionais, o grupo de Datta identificou gradientes químicos que funcionam como “marcos” durante o desenvolvimento, guiando os neurônios a reconhecer sua posição e a ativar o gene do receptor correspondente. “A organização espacial é um princípio fundamental em todos os sistemas sensoriais, e agora vemos que o olfato não foge à regra”, afirmou Datta.

Implicações para o entendimento do olfato

Para Linda Buck, neurobióloga laureada com o Nobel por descobrir os receptores olfativos, a descoberta é “revolucionária” e cria base para desvendar como o sistema se monta desde o embrião. James Schwob, da Universidade Tufts, que não participou dos trabalhos, destacou que os dados fornecem a visão molecular mais detalhada já obtida sobre o tema.

Pesquisadores criam mapa preciso dos 1.100 receptores olfativos no nariz de camundongos - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Embora o novo mapa tenha sido feito apenas em camundongos, os autores não descartam que arranjos semelhantes existam em humanos. Pesquisas futuras deverão investigar se a posição de cada receptor guarda relação com características químicas dos odores ou mesmo com o valor biológico — atraente ou repelente — de determinados cheiros.

Os dados também passam a integrar um esforço financiado pelo governo dos Estados Unidos para construir um atlas celular completo do cérebro do camundongo, iniciativa que poderá acelerar estudos sobre percepção olfativa, comportamento e doenças neurológicas.

Com informações de Folha de S.Paulo

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