Projeto capacita indígenas da Amazônia em primeiros socorros com recursos da própria floresta

Três médicos que atuam em áreas isoladas da Amazônia criaram o Socorristas da Floresta, programa dedicado a treinar moradores de comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas em técnicas de primeiros socorros adaptadas à realidade local.

A iniciativa foi idealizada por Idjarrury Sompré, Guilherme Giordani e Luiz Fernando Rocha, que exercem a profissão, respectivamente, na terra indígena Zo’é (norte do Pará), em territórios tradicionais do oeste paraense e em comunidades do Alto Rio Solimões (Amazonas). Desde fevereiro de 2025, cerca de 200 pessoas já foram capacitadas.

Treinamento com materiais da mata

Os cursos ensinam a aproveitar recursos disponíveis na floresta. Entre os conteúdos estão o transporte de pacientes em redes, a confecção de macas com toras de madeira, a improvisação de suportes para soro e a imobilização de membros usando cipós e talas naturais. As atividades contam com apoio de organizações indígenas, entidades socioambientais e da Força Nacional do SUS.

Demora no resgate motiva ação

Segundo Sompré, médico indígena da etnia kaingang, a chegada de equipes de urgência pode levar horas ou até dias em regiões distantes. “Ter moradores preparados faz diferença em casos graves, como afogamentos, acidentes com ferramentas e picadas de animais peçonhentos”, afirma. Um vídeo em que o profissional aparece atendendo um paciente Zo’é suspenso em uma rede, com soro preso a talas de madeira, circulou nas redes em 2025 e evidenciou os desafios locais.

Impacto nas aldeias

Na aldeia Novo Lugar, terra indígena Maró (povo Borari), a moradora Rosete Alves relata que o aprendizado modificou a rotina. Ela lembra do irmão, picado por uma cobra às 9h: “O resgate só chegou depois das 16h. Sem o que aprendemos, talvez ele não tivesse sobrevivido”. A comunidade não conta com unidade de saúde; os postos mais próximos exigem horas de deslocamento de barco.

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Imagem: Internet

Autonomia nas emergências

Para Fabiana Borari, conselheira do Dsei Guamá-Tocantins, o projeto reforça a autonomia das comunidades. “Em locais sem posto de saúde, o socorrista leigo muitas vezes é a única chance de vida”, diz. Ela frisa que a proposta não substitui o atendimento profissional, mas oferece suporte até a chegada da remoção.

A Secretaria de Saúde Pública do Pará informou, por nota, que realiza ações para fortalecer a rede assistencial nas áreas mais remotas do estado.

Com informações de Folha de S.Paulo

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