A manutenção de áreas de vegetação ao redor de fragmentos florestais diminui a taxa de extinção de aves tropicais e subtropicais, revela pesquisa que analisou 1.005 remanescentes de mata em todo o mundo. O trabalho, conduzido por Anderson Saldanha Bueno, do Instituto Federal Farroupilha (RS), foi publicado em março na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
O levantamento comparou dois tipos de paisagem de entorno: matrizes terrestres, formadas por áreas agrícolas ou outros fragmentos florestais, e matrizes aquáticas, criadas por reservatórios de hidrelétricas. Segundo os autores, florestas insulares em lagos apresentam taxa de extinção local mais alta do que fragmentos de tamanho equivalente em áreas continentais.
Dados abrangentes
A equipe reuniu 50 bases de dados, somando 669 fragmentos em terra firme e 336 em ilhas de reservatórios. No total, foram mais de 39 mil registros de 1.954 espécies de aves. As listas de ocorrência foram elaboradas a partir de avistamentos, registros de canto e capturas com posterior soltura.
Para os ecólogos, a relação espécies–área costuma indicar que quanto maior o fragmento, maior a diversidade. O novo trabalho, porém, demonstrou que o tipo de matriz ao redor é decisivo. Em fragmentos terrestres cercados por outros trechos de mata num raio de até 300 metros, a quantidade de espécies superou a de ilhas em reservatórios, mesmo quando as áreas tinham dimensões semelhantes.
Espécies dependentes de floresta
O efeito foi ainda mais pronunciado para aves estritamente florestais que habitam pequenos fragmentos. “Só de mudar o entorno de terrestre para aquático há uma redução acentuada no número de espécies”, destacou Bueno.
Imagem: Internet
Implicações para conservação
Luís Fábio Silveira, professor do Museu de Zoologia da USP e coautor do artigo, afirmou que o estudo oferece base para políticas públicas. “Unidades de Conservação inseridas em matrizes hostis perdem, ao longo do tempo, sua efetividade”, comentou. Os pesquisadores agora pretendem detalhar se o entorno terrestre preservado é composto por pastagens, cultivos ou vegetação em regeneração.
Os resultados sugerem que estratégias de preservação devem considerar não apenas o tamanho dos fragmentos, mas também a qualidade da paisagem circundante para garantir a sobrevivência da avifauna.
Com informações de Folha de S.Paulo





