O Conselho Federal de Nutrição (CFN) proíbe profissionais da área de publicar comparações de “antes e depois” para divulgar resultados de tratamentos alimentares nas redes sociais. A prática, comum em perfis de saúde e bem-estar, infringe o Código de Ética da categoria, que tem força de lei.
“Para exercer a profissão, o nutricionista precisa de registro ativo e deve seguir o código de ética”, afirma a coordenadora da Comissão de Ética do Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região (CRN-3), Evie Grinberg Mandelbaum. Segundo ela, imagens desse tipo simplificam o cuidado nutricional, que envolve prevenção de doenças, apoio a tratamentos e promoção de saúde em mais de 30 especialidades, entre elas oncologia, cardiologia e nutrição esportiva.
A nutricionista e criadora de conteúdo Monique Fonseca avalia que a linha entre informar e prometer resultados é “tênue”. Para ela, ao sugerir que todos podem alcançar mudanças estéticas semelhantes, o profissional alimenta competição e sensação de fracasso em quem não obtém transformações visíveis.
Para o nutricionista e influenciador Luís Castello, essa exposição também afeta a relação com o paciente. “Prefiro compartilhar conquistas relatadas, como aumento do consumo de frutas ou melhora em exames. Não uso fotos comparativas nem prescrevo dietas publicamente”, diz.
Fiscalização e sanções
Denúncias sobre infrações éticas são investigadas pelos conselhos regionais. Quando confirmadas, resultam em notificação e orientação para ajuste de conduta. A recusa pode levar a advertência formal; casos graves podem terminar em multa ou cassação do registro profissional. “O objetivo principal é proteger a população e preservar a profissão, não punir”, destaca Evie.
Novas regras e inteligência artificial
O CFN anunciou mudanças no Código de Ética que entram em vigor em junho. Entre elas está a vedação ao uso de inteligência artificial generativa para criar imagens de pessoas reais ou simular resultados clínicos. Comentários em publicações do conselho indicam divergências dentro da categoria.
Imagem: Internet
Castello diz não ser afetado pela regra, mas considera outras alterações “muito restritivas” e critica a fiscalização. Já Monique questiona a proibição de manifestações públicas contra colegas, prevista no novo texto, argumentando que o combate à desinformação exige posicionamentos claros.
Dietas restritivas continuam permitidas desde que respaldadas por evidências científicas e necessidade clínica, reforça Evie.
Com informações de Folha de S.Paulo





