Instituto Pasteur vai monitorar ratos em São Paulo para rastrear vírus capazes de atingir humanos

O Institut Pasteur de São Paulo prepara um programa de vigilância viral em roedores da capital paulista com o objetivo de identificar vírus que possam ser transmitidos à população humana. A iniciativa, aprovada no fim de 2025, é coordenada pelo biomédico Robert Andreata, 34 anos, e conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O estudo depende de um convênio em fase final de assinatura com a Coordenadoria de Vigilância Sanitária (Covisa) da Prefeitura de São Paulo, que viabilizará a captura de exemplares de Rattus rattus (rato-preto) e Rattus norvegicus (ratazana de esgoto) em áreas de maior infestação. Nesses locais, são comuns condições sanitárias precárias, ausência de tratamento de esgoto e ambiente quente e úmido — fatores que favorecem a circulação de patógenos.

Procedimentos no laboratório

Após a coleta, as amostras serão processadas nos laboratórios do Pasteur, onde a equipe pretende extrair, amplificar e sequenciar o material genético presente. A triagem inicial usará primers voltados a sequências já descritas em bancos de dados mundiais. Técnicas de metagenômica ampliarão a busca, permitindo detectar agentes ainda não associados a roedores.

Lacuna na vigilância

No Brasil, o monitoramento de roedores urbanos concentra-se em bactérias, como as que causam leptospirose. A circulação viral nesses animais permanece pouco estudada; a hantavirose é o exemplo mais conhecido, mas não há acompanhamento rotineiro em ambiente urbano. “A ausência de dados não significa que os ratos não carreguem vírus relevantes”, ressalta Andreata.

Infraestrutura

Inaugurado há dois anos no campus da USP, no bairro do Butantã, o Institut Pasteur dispõe de laboratórios de biologia molecular equipados com PCR em tempo real, PCR convencional e sequenciamento de próxima geração, além de três unidades de biossegurança nível 3 (NB3), adequadas ao manuseio de agentes de alto risco.

Instituto Pasteur vai monitorar ratos em São Paulo para rastrear vírus capazes de atingir humanos - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Próximos passos

A fase inicial do projeto prevê a captura de até 400 roedores, número que o pesquisador considera desafiador devido à inteligência desses animais. Em longo prazo, a equipe pretende desenvolver testes diagnósticos para os vírus encontrados, possibilitando a identificação de casos humanos que hoje passam despercebidos como simples viroses.

Formado em ciências biomédicas pela Universidade Estadual de Santa Cruz (BA) e com pós-doutorado na Escola Icahn de Medicina do Hospital Mount Sinai, em Nova York, Andreata afirma que o projeto busca aproximar pesquisa e saúde pública. “São Paulo é uma das maiores metrópoles do mundo. Conhecer os vírus que circulam em roedores aqui pode gerar benefícios para outras regiões do país e do exterior”, diz o cientista.

Com informações de Folha de S.Paulo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Mais destaques

Posts relacionados