A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta quinta-feira (7) cinco dos oito casos suspeitos de infecção por hantavírus a bordo do cruzeiro MV Hondius. Três ocorrências seguem em análise. Até agora, o surto resultou em três mortes.
De acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, novos registros não estão descartados. “Considerando que o período de incubação do vírus dos Andes pode chegar a seis semanas, é possível que outros casos sejam notificados”, afirmou.
Como parte da resposta internacional, a Argentina enviará 2.500 kits de teste para laboratórios de cinco países. A agência de saúde avalia que o risco global permanece baixo.
Maria Van Kerkhove, diretora de Gestão de Epidemias e Pandemias da OMS, destacou que a situação difere da pandemia de Covid-19. “Trata-se de um vírus já conhecido, que circula há anos. É um surto localizado em um ambiente específico e confinado”, explicou.
O MV Hondius partiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, com 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades, rumo a Cabo Verde. A embarcação ficou ancorada na costa africana no domingo (3) após o governo cabo-verdiano negar autorização para desembarque. Na quarta-feira (6), o navio retomou a viagem e deve atracar no domingo (10) no porto de Granadilla, em Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha).
Um especialista da OMS embarcou em Cabo Verde para atuar junto a dois médicos holandeses e a um representante do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). O grupo realiza avaliações médicas em todos a bordo e permanecerá na embarcação até a chegada às Ilhas Canárias.
Imagem: Internet
As autoridades consideram o episódio incomum por envolver possível transmissão entre pessoas em um cruzeiro internacional, algo não documentado anteriormente com esse vírus. A principal hipótese é que um casal holandês tenha contraído o hantavírus antes do embarque, durante viagem por Argentina, Chile e Uruguai, em regiões com circulação de roedores silvestres. A partir desse ponto, teria ocorrido contágio interpessoal dentro do navio, sobretudo entre ocupantes de cabines compartilhadas.
O primeiro óbito foi de um holandês de 70 anos, que apresentou febre, dor de cabeça e diarreia e morreu em 11 de abril por insuficiência respiratória. A esposa dele, de 69 anos, foi a segunda vítima, falecendo após transferência para um hospital em Joanesburgo, na África do Sul. O terceiro óbito foi de um passageiro alemão, ocorrido a bordo no início de maio.
Segundo Abdirahman Sheikh Mahamud, diretor de Alerta e Resposta a Emergências de Saúde da OMS, é improvável que o surto se transforme em epidemia de grande escala. “Com rastreamento de contatos e isolamento, podemos interromper a cadeia de transmissão”, disse.
Com informações de Folha de S.Paulo





