Autoridades de saúde de vários países rastreiam passageiros que estiveram a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, após a confirmação de um surto de hantavírus que provocou três mortes e cinco infecções confirmadas. O navio, operado pela Oceanwide Expeditions, zarpou da Argentina há cerca de um mês e atualmente segue rumo às Ilhas Canárias, depois de permanecer ancorado por três dias em Cabo Verde.
Operação global de rastreamento
Quatro passageiros foram retirados do navio para tratamento médico. Outros viajantes já retornaram a seus países — Reino Unido, África do Sul, Holanda, Estados Unidos e Suíça — e estão sendo monitorados. A Oceanwide Expeditions informou que não havia brasileiros a bordo.
A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA) orientou que eventuais passageiros britânicos fiquem em isolamento por 45 dias. Segundo o chefe científico da agência, Robin May, o trabalho de rastreamento de contatos é “hercúleo” e deve continuar “por algum tempo”. Dois britânicos que desembarcaram em Santa Helena e voaram para casa via Joanesburgo já se isolaram voluntariamente, sem apresentar sintomas. Outros cinco ainda não regressaram ao Reino Unido.
Nos Estados Unidos, autoridades estaduais da Geórgia e do Arizona acompanham três passageiros que voltaram ao país; nenhum deles mostra sinais da doença até o momento.
Risco considerado baixo para a população geral
A médica Maria Van Kerkhove, da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que o episódio “não é covid, não é influenza” e que a cepa andina do hantavírus “se propaga de forma muito diferente”. A transmissão entre humanos é possível, mas menos eficiente que em vírus respiratórios comuns, o que mantém o risco global baixo, segundo a entidade.
O período de incubação pode chegar a seis semanas, razão pela qual novas infecções ligadas ao cruzeiro ainda podem surgir. Ainda não está claro como o surto começou, mas o navio visitou áreas remotas onde passageiros podem ter inalado partículas virais presentes em excretas de roedores silvestres, principal forma de contágio.
Condições a bordo e medidas adotadas
Mesmo em cruzeiros de luxo, cabines compartilhadas e áreas de refeição favorecem a disseminação de doenças. Todos os ocupantes do MV Hondius permanecem isolados, e o navio passou por limpeza profunda antes da evacuação planejada. A operadora afirma que ninguém a bordo apresenta sintomas no momento.
Imagem: Internet
Trinta passageiros, entre eles sete britânicos, desembarcaram em Santa Helena em 24 de abril e estão sob vigilância local. O casal holandês que ocupava a mesma cabine ilustra a gravidade: o marido faleceu no dia 11 de abril a bordo, e a esposa morreu em terra menos de duas semanas depois.
Sintomas e tratamento
A infecção pela cepa andina pode começar com febre, fadiga e dores musculares, progredindo para dificuldade respiratória, náusea, vômito ou diarreia. Não existe tratamento específico; a assistência hospitalar de suporte aumenta as chances de sobrevida.
Situação no Chile
Fora do navio, o Chile registrou 39 casos de síndrome pulmonar por hantavírus até 6 de maio de 2026, com 13 mortes (letalidade de 33%). O Ministério da Saúde chileno mantém alerta epidemiológico desde janeiro para reforçar a detecção precoce. A cepa andina é transmitida pelo rato-de-cauda-longa (Oligoryzomys longicaudatus), encontrado do deserto do Atacama ao estreito de Magalhães.
Autoridades de saúde reiteram que, para quem não teve contato direto com passageiros ou tripulantes do MV Hondius, o risco permanece insignificante.
Com informações de Folha de S.Paulo





