A bióloga e neurocientista Suzana Herculano-Houzel, professora na Universidade Vanderbilt (EUA), declarou em artigo publicado na Folha de S.Paulo que as plataformas de redes sociais passaram a privilegiar conteúdos que despertam repulsa, indignação e ódio. Segundo ela, os algoritmos adotam uma lógica semelhante à “sobrevivência do mais forte”, promovendo aquilo que já atrai grande engajamento.
Herculano-Houzel compara o funcionamento inicial das redes, marcado pela auto-organização dos usuários, ao processo evolutivo natural que favorece a diversidade. Para a pesquisadora, essa dinâmica mudou quando “lorde das plataformas” intervieram para maximizar lucro, medindo sucesso pelo volume de cliques, comentários e compartilhamentos.
Na análise da neurocientista, o cérebro humano tende a gastar energia para responder a opiniões contrárias, pois a discordância gera sensação de urgência para “iluminar o outro lado”. Esse mecanismo, diz ela, alimenta ainda mais o ciclo de conteúdos ultrajantes que os algoritmos exibem, fortalecendo publicações com maior potencial de engajamento negativo.
Herculano-Houzel aponta duas saídas possíveis: a primeira dependeria de mudanças estruturais feitas pelas próprias plataformas, abandonando a prioridade dada ao que mais gera interação. A segunda, ao alcance de cada usuário, seria negar “ibope” ao conteúdo odioso, reduzindo sua circulação ao simplesmente ignorá-lo.
Imagem: Internet
Com informações de Folha de S.Paulo





