Surto de hantavírus em cruzeiro mobiliza autoridades de cinco países e deixa três internados na Europa

Três passageiros retirados do navio de cruzeiro MV Hondius permanecem internados em hospitais europeus após suspeita de infecção por hantavírus. A embarcação, que segue rota entre Ushuaia (Argentina) e Cabo Verde, tem chegada prevista a Tenerife, nas Ilhas Canárias, no próximo domingo (10).

Um dos pacientes recebe cuidados no Centro Médico Universitário de Leiden, nos Países Baixos; outro está no Hospital Universitário de Düsseldorf, na Alemanha; e o terceiro foi transferido para Amsterdã na manhã desta quinta-feira (7). Segundo Ann Lindstrand, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, todos apresentam quadro estável, e um deles permanece assintomático.

Casos monitorados em diferentes continentes

Além dos três europeus, um homem continua hospitalizado em Joanesburgo, na África do Sul, e outro em Zurique, na Suíça. O Ministério da Saúde holandês informou que uma comissária de bordo da KLM foi internada em Amsterdã com sintomas compatíveis após ter contato com uma passageira que morreu de hantavírus na África do Sul.

Em Singapura, dois moradores que viajaram no Hondius foram isolados até a divulgação dos exames. Nos Estados Unidos, autoridades acompanham pessoas em pelo menos três estados, embora nenhuma apresente sintomas. No Reino Unido, dois britânicos que retornaram da embarcação receberam orientação para permanecer em quarentena.

Balanço da OMS

A OMS contabiliza até o momento três casos confirmados, cinco suspeitos e três mortes, sendo uma atribuída de forma definitiva ao hantavírus Andes — a única cepa conhecida capaz de transmitir-se entre humanos, ainda que de maneira rara e mediante contato prolongado.

Rota e origem provável do contágio

O MV Hondius transporta 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades. O período de incubação, que varia de uma a seis semanas, leva a OMS a concluir que a exposição ao vírus ocorreu antes do embarque em Ushuaia, em 1º de abril, possivelmente em contato com roedores. O biólogo Raúl González Ittig, da Universidade Nacional de Córdoba, considera improvável que a infecção tenha ocorrido na Terra do Fogo, onde não há registros do patógeno.

Diante das incertezas, o governo argentino enviará especialistas a Ushuaia para investigar eventuais focos. O país soma 101 registros de hantavírus no atual período epidemiológico — quase o dobro do anterior —, mas as autoridades descartam um surto interno.

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Imagem: Internet

Preocupação em voos comerciais

Autoridades também monitoram passageiros de um voo entre Santa Helena e Joanesburgo. Nesse trajeto, uma cidadã holandesa já sintomática viajou com 82 passageiros e seis tripulantes antes de morrer em decorrência da doença. A empresa Oceanwide Expeditions informou que 30 turistas deixaram o navio em Santa Helena em 24 de abril.

Chegada às Ilhas Canárias

Após atracar em Tenerife, estrangeiros sem sintomas graves serão repatriados, afirmou a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García. Os 14 cidadãos espanhóis embarcados seguirão para um hospital militar em Madri, onde ficarão em quarentena. Segundo a operadora do cruzeiro, não há relatos de novos sinais clínicos a bordo.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que o risco global permanece baixo e a situação não se assemelha ao início da pandemia de Covid-19.

Com informações de Folha de S.Paulo

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