Neurocientista aponta algoritmos de redes sociais como motores da popularidade do ódio

A bióloga e neurocientista Suzana Herculano-Houzel, professora da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, afirmou que o ódio se tornou o conteúdo de maior alcance nas redes sociais porque os algoritmos dessas plataformas adotam uma lógica semelhante à “sobrevivência do mais apto”.

Em artigo de opinião publicado nesta quarta-feira (⚠ data original não informada no texto), a pesquisadora sustenta que os sistemas de recomendação favorecem publicações que já demonstram crescimento de audiência, ampliando ainda mais sua visibilidade. Segundo ela, esse mecanismo leva a uma homogeneização do que os usuários veem, priorizando postagens que provocam repulsa, indignação e raiva — emoções capazes de gerar alto engajamento.

Herculano-Houzel compara o comportamento das plataformas ao processo de auto-organização observado na natureza. Na vida real, observa, a diversidade sobrevive porque não há necessidade de ser “o mais-mais” para ocupar um espaço. Nas redes, entretanto, “lordes das plataformas” intervieram para maximizar lucro, impondo a lógica darwinista por meio de seus algoritmos.

A cientista argumenta que o cérebro humano é mais propenso a reagir quando discorda de algo do que quando concorda. Nessa avaliação cerebral de custo-benefício, a tentativa de corrigir ou criticar o outro lado parece justificar o gasto de energia mental, colaborando para que conteúdos polêmicos e ofensivos recebam mais respostas, curtidas e compartilhamentos.

Como consequência, diz a neurocientista, o ambiente digital torna-se um “poço de sujeira” onde discursos de ódio dominam a atenção do público. Para enfrentar o problema, ela apresenta duas alternativas: plataformas abandonarem a lógica de priorizar o conteúdo mais “apto a gerar engajamento” ou usuários simplesmente deixarem de interagir com publicações que estimulam o ódio.

Neurocientista aponta algoritmos de redes sociais como motores da popularidade do ódio - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Herculano-Houzel relata que, diante do cenário atual, optou por se afastar das redes sociais e recomenda ao público considerar a mesma estratégia enquanto mudanças estruturais não chegam.

Com informações de Folha de S.Paulo

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