Pesquisa aponta que aves urbanas levantam voo mais cedo diante de mulheres do que de homens

Um estudo publicado no fim de 2025 na revista People and Nature, da Sociedade Ecológica Britânica, indica que aves que vivem em áreas urbanas europeias demonstram maior cautela quando mulheres se aproximam, decolando, em média, um metro antes do que quando abordadas por homens.

Como o trabalho foi conduzido

A pesquisa reuniu 2.701 observações de 37 espécies em parques da República Tcheca, França, Alemanha, Polônia e Espanha. O time de campo contou com oito ornitólogos — quatro homens e quatro mulheres — que trabalhavam em duplas de altura e vestimentas semelhantes. O protocolo consistia em caminhar em linha reta em direção ao pássaro, sem alterar o ritmo nem fazer movimentos laterais.

Para reduzir variáveis, as pesquisadoras não coletaram dados durante o período menstrual, fase em que compostos do odor corporal podem se intensificar, e quem tinha cabelos longos manteve-os presos.

Resultados repetidos em várias espécies

De pombos e melros a corvos, tentilhões, estorninhos e pica-paus, o padrão se manteve: a presença feminina provocou fuga antecipada. “Como mulher na área, fiquei surpresa ao ver que os pássaros reagiam de forma diferente a nós”, afirmou a ecóloga Yanina Benedetti, da Universidade Tcheca de Ciências da Vida, que assina o trabalho.

Explicações ainda em aberto

Os autores analisam hipóteses ligadas a feromônios, formato corporal ou maneira de caminhar, mas admitem não ter resposta conclusiva. “Acredito plenamente nos resultados, mas ainda não sei explicá-los”, disse Daniel Blumstein, da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Para o ornitólogo John Marzluff, da Universidade de Washington, o achado contrasta com a ideia de que, historicamente, homens foram mais associados à caça. Ele classifica os dados como “preliminares”, embora não descarte que aves percebam sutilezas nos seres humanos que a ciência ainda não compreende.

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Imagem: Internet

Próximos passos

Benedetti recomenda pesquisas que isolem variáveis específicas — movimento, odor e morfologia — em vez de agrupar tudo sob a categoria “sexo do observador”. Estudos anteriores mostram que mamíferos como camundongos, cavalos e vacas tendem a se estressar mais com homens; as aves urbanas, porém, parecem seguir direção oposta.

Os autores destacam que mais dados serão necessários para compreender como e por que os pássaros diferenciam o sexo de quem se aproxima.

Com informações de Folha de S.Paulo

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