Um mês após o pouso seguro dos quatro integrantes da Artemis 2, a Nasa começou a detalhar parte das mais de 7 mil imagens coletadas durante a missão em órbita lunar. Entre os registros estão formações como a cratera Vavilov, no lado oculto da Lua, fotografada em abril.
Os novos retratos reforçam o interesse científico e comercial no satélite natural. O administrador da Nasa, Jared Isaacman, reiterou que a agência tem como meta instalar uma base permanente na superfície lunar até 2031, projeto que depende de recursos minerais e hídricos locais.
Crateras viram alvo da mineração espacial
Marcelo de Cicco, da Sociedade Brasileira de Astronomia, observa que a atual corrida lunar é impulsionada por empresas que já desenvolvem sistemas de automação para extração de minérios. “Quando o mercado adota a causa, a sociedade é pressionada a avançar”, afirma o pesquisador, acrescentando que interesses científicos e econômicos agora caminham lado a lado.
Entre as formações que despertam atenção estão as bacias Orientale e Polo Sul-Aitken, cada uma com mais de 300 km de diâmetro. Segundo De Cicco, os impactos que originaram essas áreas trouxeram material do manto lunar à superfície, criando solos basálticos ricos em minerais.
Potencial para encontrar água congelada
Cássio Barbosa, astrônomo do Departamento de Física da FEI, lembra que crateras profundas na bacia Polo Sul-Aitken permanecem na sombra permanente, o que favorece o acúmulo de gelo. O eventual aproveitamento desse recurso é considerado essencial para o abastecimento de futuras bases.
Imagem: Internet
Valor das imagens e da visão humana
Embora sondas robóticas já tenham mapeado grande parte da Lua, De Cicco destaca que a observação direta dos astronautas continua insubstituível. “O olhar humano consegue identificar detalhes em tempo real que sensores podem deixar passar ou só revelar após longa análise”, comenta.
Combinadas, as fotografias e as anotações feitas a bordo da Artemis 2 devem ajudar pesquisadores a refinar áreas de pouso, rotas de exploração e locais de instalação de infraestrutura no satélite.
Com informações de Folha de S.Paulo





