Mães redescobrem interesses pessoais após saída dos filhos de casa

A mudança de rotina provocada pela partida dos filhos tem levado muitas mulheres a retomar antigos passatempos ou a buscar novas atividades. Especialistas apontam que esse movimento, conhecido como “síndrome do ninho vazio”, envolve adaptação e reconstrução da identidade.

Forró e viagens marcam novo começo

A psicóloga Thaís Pacheco Maragliano, 51 anos, passou por duas transformações simultâneas: a saída dos dois filhos e o fim de um casamento de 32 anos. Moradora de São Bernardo do Campo (SP), ela se mudou sozinha para a capital paulista e voltou a frequentar aulas de forró pelo menos duas vezes por semana. Entre os planos estão retomar a capoeira e participar de viagens em grupo.

Segundo Thaís, as aulas facilitaram a formação de novas amizades na cidade onde chegou sem rede de apoio. Em uma excursão para Paraty (RJ) com outras mulheres, percebeu que muitas das participantes também buscavam redescobrir a própria identidade.

Especialistas explicam o processo

A psicóloga clínica Larissa Fonseca afirma que o ninho vazio não se resume a uma casa silenciosa: trata-se de reorganizar a forma como essas mulheres se veem. Ela observa que preencher o tempo livre não basta; é necessário questionar desejos e prioridades pessoais.

A psicanalista Silvia Cristina Karacristo, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, acrescenta que a rotina intensa de cuidados pode mascarar conflitos conjugais. Quando os filhos saem, esses impasses muitas vezes afloram, podendo aproximar ou separar o casal.

Praias, dança e rotina mais leve

Em Salvador, a supervisora de serviços gerais Lívia Evangelista Bomfim, 50 anos, começou a viajar quase todos os fins de semana após a filha se mudar. O tempo antes dedicado à organização da casa foi direcionado ao lazer, o que, segundo ela, resultou em melhora da autoestima, ainda que acompanhada de saudade.

Mães redescobrem interesses pessoais após saída dos filhos de casa - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Já a representante comercial Regina Boni, 58 anos, de Bauru (SP), sentiu alívio quando o filho deixou o lar para estudar medicina em Catanduva. Com horários menos rígidos, passou a dormir mais tarde, praticar caminhadas, alongamentos e aulas de dança de salão. Também pretende iniciar aulas de dança do ventre.

Reações variam e não há modelo único

Larissa Fonseca ressalta que cada mãe reage de forma diferente: algumas enfrentam tristeza intensa; outras, sensação de liberdade ou entusiasmo, sentimentos que podem vir acompanhados de culpa. Para a professora de Psicologia Ludymila Santana, do Centro Universitário de Brasília (Ceub), mulheres com vínculos sociais ativos e hobbies tendem a atravessar essa fase com mais equilíbrio, o que indica a importância de cultivar interesses próprios ao longo da vida.

Enquanto o silêncio da casa exige ajustes, muitas mães relatam que retomar ou descobrir atividades — como dançar, viajar ou praticar esportes — tem sido decisivo para redefinir prioridades e reconectar-se com a própria história.

Com informações de Folha de S.Paulo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Mais destaques

Posts relacionados