Consumir grandes quantidades de álcool em um único evento, mesmo que raramente, eleva em até três vezes a probabilidade de desenvolver fibrose hepática em pessoas que já apresentam acúmulo de gordura no fígado. A conclusão consta de estudo publicado em abril na revista científica Clinical Gastroenterology and Hepatology.
O trabalho avaliou dados de 8.000 participantes do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), coletados nos Estados Unidos entre 2017 e 2023. Segundo os autores, ingerir quatro ou mais doses de bebida alcoólica em uma ocasião — no caso das mulheres — ou cinco ou mais — entre homens — ao menos uma vez por mês oferece risco maior de fibrose do que distribuir a mesma quantidade de álcool ao longo de 30 dias.
Para a hepatologista Carolina Pimentel, do Hospital Israelita Einstein, os resultados reforçam a necessidade de considerar o padrão de consumo como fator de risco. “Quem bebe muito apenas em alguns finais de semana também deve estar atento”, afirmou.
Impacto sobre doença hepática gordurosa
A chamada esteatose hepática, popularmente “gordura no fígado”, já atinge cerca de 40% da população adulta mundial e pode evoluir para inflamação crônica, cicatrizes, cirrose e câncer. Desde 2023, a condição passou a ser denominada doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD, na sigla em inglês). Quando há consumo frequente de álcool, a classificação muda para doença hepática metabólica e alcoólica (MetALD).
O novo estudo indica que parte dos pacientes enquadrados em MASLD talvez deva ser reclassificada, pois 16% relataram episódios intermitentes de consumo excessivo de álcool, o que os coloca em faixa de risco maior.
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Alerta para diagnóstico precoce
Pimentel lembra que o fígado pode sofrer danos graves sem manifestar sintomas. “Mesmo com fibrose ou cirrose, o órgão segue funcionando e a pessoa não percebe. Muitas só descobrem quando já há câncer ou necessidade de transplante”, disse. Por isso, ela recomenda check-ups regulares e redução do consumo alcoólico, destacando que não existe dose totalmente segura.
Com informações de Folha de S.Paulo





