Famílias repudiam teorias conspiratórias sobre mortes e desaparecimentos de pesquisadores nos EUA

Pelo menos dez mortes ou desaparecimentos de pessoas ligadas a pesquisas consideradas sensíveis nos Estados Unidos passaram a alimentar teorias de conspiração na internet, cenário que já motivou o FBI e o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes a anunciarem apurações. Parentes das vítimas classificam as especulações como “repugnantes” e insistem que cada caso possui explicações documentadas.

Astrônomo morto na Califórnia

O episódio mais recente envolve o astrônomo Carl Grillmair, 67 anos, baleado em 16 de fevereiro dentro da própria casa em Llano, Califórnia. O morador local Freddy Snyder, 29, foi denunciado por homicídio e invasão de domicílio e deve comparecer à Justiça na próxima semana para a audiência inicial.

A viúva, Louise Grillmair, atribui o crime a um ato de vingança equivocada: meses antes, o suspeito teria invadido a propriedade armado, alegando caçar coiotes, e foi orientado pelo astrônomo a se retirar. “Carl certamente riria dessas teorias, mas recorreria a dados para derrubá-las”, disse Louise.

Lista heterogênea de casos

Além de Grillmair, o rol de “cientistas desaparecidos” reúne uma assistente administrativa, um general da Força Aérea aposentado, um engenheiro, um zelador e pesquisadores de áreas que vão de exoplanetas à indústria farmacêutica.

O jornalista científico Mick West calculou que, entre cerca de 700 mil profissionais com acesso a informações secretas nos EUA, a expectativa estatística para um período de 22 meses seria de 4 mil mortes, 70 homicídios e 180 suicídios. “A lista tem dez nomes. As mortes são reais; o padrão, não”, escreveu ele em 16 de abril.

General desaparecido no Novo México

O caso de maior patente é o do general reformado William Neil McCasland, sumido em 27 de fevereiro após retornar de consulta médica em Albuquerque. Em chamada ao 911, sua esposa, Susan McCasland Wilkerson, relatou indícios de que ele planejara não ser encontrado, levando uma arma e deixando o celular em casa. Segundo ela, o militar sofria de ansiedade, perda de memória de curto prazo e insônia.

No Facebook, Susan afirmou que o marido, aposentado havia 13 anos, detinha hoje “apenas autorizações de segurança comuns” e ironizou rumores sobre envolvimento alienígena: “Talvez os extraterrestres o tenham teleportado para a nave-mãe”.

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Imagem: Internet

Outros desaparecimentos e mortes

Oito meses antes, em Taos, também no Novo México, a assistente administrativa Melissa Casias, do Laboratório Nacional de Los Alamos, desapareceu. Família e marido indicaram nas redes sociais que ela teria saído por vontade própria.

Em Massachusetts, o físico do MIT Nuno Loureiro foi assassinado por um ex-colega, que confessou o crime em vídeo. Outro pesquisador apareceu morto em um lago logo após perder os pais; um terceiro faleceu em 2023 por doença cardiovascular arteriosclerótica, segundo laudo oficial.

Impacto sobre as famílias

Parentes que tentam frear a disseminação das teorias dizem enfrentar assédio de curiosos. “A especulação é desrespeitosa à memória deles”, afirmou Louise Grillmair, que conheceu o marido em uma aula de astrofísica e prefere vê-lo lembrado pelo trabalho e pelo caráter solidário.

Apesar das explicações, as teorias continuam circulando, pressionando autoridades a concluírem rapidamente as investigações.

Com informações de Folha de S.Paulo

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