A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou estado de emergência de saúde pública de interesse internacional em razão do surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC). Apesar da medida, o órgão afirma que o risco global permanece baixo.
80 mortes confirmadas e 250 casos suspeitos
Desde o primeiro registro, em 24 de abril – quando uma enfermeira apresentou sintomas –, as autoridades de saúde congolesas contabilizam 80 mortes e 250 casos suspeitos. A confirmação do surto levou três semanas, pois os testes iniciais deram resultado negativo para ebola, exigindo exames mais avançados.
Vírus raro dificulta combate
O surto é provocado pela espécie bundibugyo, uma das três variantes capazes de causar epidemias. Responsável por apenas dois surtos anteriores (2007 e 2012), o bundibugyo mata cerca de 30% dos infectados, não possui vacina ou tratamento aprovado e apresenta desafios diagnósticos, segundo especialistas.
Conflito interno atrapalha resposta
A guerra civil na RDC, que já deslocou 250 mil pessoas, dificulta a contenção do vírus. Muitas das áreas afetadas são centros de mineração com população flutuante, fator que amplia o risco de disseminação, observa a professora Trudie Lang, da Universidade de Oxford.
Casos em país vizinho e risco regional
Em Uganda, país vizinho, uma pessoa foi infectada e outra morreu. A OMS considera Uganda, Sudão do Sul e Ruanda de alto risco pela intensa circulação de pessoas e mercadorias com a RDC.
Transmissão e sintomas
O ebola se espalha por contato direto com fluidos corporais de pessoas sintomáticas. Os sinais aparecem entre dois e 21 dias após a infecção, começando com febre, dor de cabeça e cansaço. Na progressão, podem ocorrer vômitos, diarreia, falência orgânica e hemorragias internas e externas.
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Estratégia de contenção
Sem medicamento específico, o tratamento baseia-se em cuidados de suporte — analgesia, reposição de fluidos e nutrição — que elevam as chances de sobrevivência. As autoridades concentram esforços em rastrear contatos, isolar casos e garantir enterros seguros, além de prevenir a transmissão em unidades de saúde.
Especialistas apontam que a RDC possui experiência acumulada em surtos anteriores e uma capacidade de resposta mais robusta do que há dez anos. Ainda assim, segundo a OMS, a detecção tardia indica que o número real de infecções pode ser maior que o notificado.
Com informações de Folha de S.Paulo





