Uma obra de 1562 atribuída ao pintor flamengo Pieter Bruegel, o Velho, espalhou-se nas redes sociais acompanhada de uma teoria infundada: a de que dinossauros teriam vivido ao lado de seres humanos. Publicações no Instagram e em fóruns como o Reddit afirmam que o quadro revelaria “saurópodes” na paisagem e citam um inexistente artista chamado “Peter Bruce Gale” como autor da peça.
Origem do equívoco
O quadro em questão é “O Suicídio de Saul”, conservado no museu Kunsthistorisches, em Viena. A obra retrata o fim do rei Saul, descrito na Bíblia, após sua derrota no monte Gilboa. Nas redes, usuários identificaram figuras de pescoço longo ao fundo e as interpretaram como dinossauros, alegando que seriam evidência de contato pré-histórico com humanos.
Especialistas apontam duas falhas centrais na suposição:
- Autoridade inventada: “Peter Bruce Gale” não consta em catálogos de arte ou registros históricos; trata-se de um nome criado nas publicações virais.
- Animais mal interpretados: De acordo com o site IFLScience, as formas vistas na pintura provavelmente são camelos, animais mencionados em passagens bíblicas ligadas a Saul. Bruegel, como muitos artistas do Renascimento, nunca havia observado esses bichos de perto e baseou-se em descrições de terceiros, o que explica a aparência incomum.
Quando a imaginação supera a realidade
A representação imprecisa de animais exóticos era frequente na arte europeia medieval e renascentista. Sem referências visuais confiáveis, pintores combinavam relatos, crenças populares e liberdade criativa—fenômeno que produziu desde leões de aspecto fantasioso até o famoso rinoceronte esboçado por Albrecht Dürer no século 16.
A tendência a reconhecer objetos familiares em imagens históricas já provocou outros enganos. Em 2018, internautas viram um “smartphone” na mão de uma personagem de “Os Esperados” (1860), de Ferdinand Georg Waldmüller; na realidade, era um livro de orações. Situação semelhante ocorreu quando o CEO da Apple, Tim Cook, identificou um presumido iPhone em uma pintura holandesa de 1670—na verdade, uma carta.
Imagem: Internet
O caso de Bruegel reforça como interpretações precipitadas, amplificadas pelas redes sociais, podem transformar detalhes artísticos em teorias pseudocientíficas, mesmo quando a documentação histórica é clara.
Com informações de Folha de S.Paulo





