Polícia Civil do AM indici​a médica, técnica de enfermagem e dois diretores por morte de criança após dose de adrenalina

A Polícia Civil do Amazonas concluiu o inquérito que apura a morte de Benício Xavier de Freitas, 6, ocorrida em 23 de novembro de 2025, no Hospital Santa Júlia, em Manaus, após aplicação de adrenalina por via intravenosa. Quatro pessoas foram indiciadas.

Quem foi indiciado

Juliana Brasil, médica que prescreveu o medicamento, vai responder por homicídio doloso com dolo eventual, fraude processual e falsidade ideológica. O advogado da profissional, Sergio Figueiredo, classificou o indiciamento como “precipitado e dissociado da realidade causal”.

Raíza Bentes, técnica de enfermagem responsável pela administração da substância, também foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual.

Antônio Guilherme Macedo e Édson Sarkis Gonçalves, diretores do hospital, foram enquadrados por homicídio culposo.

Como ocorreu a morte

Benício deu entrada na unidade com tosse e suspeita de laringite. A família afirma que o estado de saúde piorou após a injeção de adrenalina, indicada, segundo os pais, para uso por nebulização. O menino morreu cerca de 14 horas depois.

Elementos do inquérito

No total, 39 pessoas foram ouvidas. Entre as principais provas, a polícia menciona mensagens em que a médica reconhece o erro de prescrição durante a evolução do quadro clínico.

A corporação concluiu que não houve falha no sistema eletrônico do hospital, contrariando a versão da defesa de Juliana Brasil, que alegava erro no prontuário. Os investigadores também apontam que a profissional se apresentava como pediatra sem possuir especialização.

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Imagem: Internet

Defesa da médica

A defesa sustenta que houve sucessão de falhas na UTI, onde Benício sofreu quatro paradas cardiorrespiratórias e recebeu 71 frascos de adrenalina. A equipe jurídica afirma ainda que, no momento da intubação, a criança não estava sob responsabilidade de Juliana Brasil, e que a técnica de enfermagem teria sido orientada a usar o medicamento por via inalatória.

Outro argumento apresentado é que a liberação de dieta pelo hospital teria provocado broncoaspiração em uma das tentativas de intubação, agravando o quadro.

Posicionamento do hospital e dos demais indiciados

Procurado por e-mail na segunda-feira (4) e na terça-feira (5), o Hospital Santa Júlia não se manifestou. As defesas de Raíza Bentes, Antônio Guilherme Macedo e Édson Sarkis Gonçalves não foram localizadas.

O inquérito segue agora para o Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia à Justiça.

Com informações de Folha de S.Paulo

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