Hantavírus causa três mortes e sete infecções em cruzeiro no Atlântico, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta terça-feira (5) que sete pessoas foram acometidas por hantavírus a bordo do navio de expedição MV Hondius, ancorado próximo a Cabo Verde. Dois casos foram confirmados em laboratório e outros cinco permanecem como suspeitos. Três passageiros morreram.

A embarcação, que partiu de Ushuaia, na Argentina, em março, transportava cerca de 150 turistas — a maioria britânicos, norte-americanos e espanhóis — em roteiro pela Antártida e ilhas remotas do Atlântico Sul. As passagens custavam entre R$ 88 mil e R$ 139 mil.

Possível transmissão pessoa a pessoa

Segundo a OMS, o primeiro casal infectado, de nacionalidade holandesa, provavelmente contraiu o vírus em terra, durante observação de aves na Argentina. A variante envolvida seria a cepa Andes, circulante na América do Sul. A partir deles, o organismo suspeita de contágio entre pessoas que dividiam cabines e mantinham contato próximo dentro do navio — forma de transmissão já documentada, embora incomum, para essa cepa.

O que é o hantavírus

O agente pertence ao gênero Orthohantavirus e provoca a hantavirose, infecção capaz de evoluir para Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus nas Américas. A doença afeta coração e pulmões e mata cerca de 40% dos doentes, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Formas de contágio

O vírus é eliminado na urina, fezes e saliva de roedores silvestres — popularmente chamados de ratos do mato. A infecção costuma ocorrer quando aerossóis contaminados são inalados, por exemplo, ao varrer locais frequentados por esses animais. Ratazanas e camundongos urbanos estão mais associados à leptospirose do que ao hantavírus.

Ocorrência no Brasil

Entre 1993 e 2024, o Ministério da Saúde registrou 2.377 casos no país, com 540 mortes. Em 2025, foram notificados 28 episódios, e, nos quatro primeiros meses de 2026, já há seis registros. Aproximadamente 70% dos casos brasileiros surgem em áreas rurais.

Sinais e evolução clínica

A fase inicial, de três a cinco dias, se assemelha a uma gripe, com febre alta, cefaleia, dores musculares, náusea, vômito, diarreia e dor abdominal. A etapa grave pode instalar-se entre 4 e 24 horas após o início da tosse e da falta de ar, trazendo taquicardia, queda de pressão, acúmulo de líquido nos pulmões e necessidade de ventilação mecânica. Na América do Sul podem surgir manchas vermelhas na pele, sangue na urina e rubor facial. Não existe tratamento específico, apenas suporte em UTI.

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Imagem: Internet

Fatores de risco

Desmatamento, expansão urbana sobre áreas silvestres, trabalhos agrícolas, limpeza de celeiros, estábulos ou locais infestados por ratos aumentam a chance de contato com o vírus. Atividades turísticas em regiões naturais, como a observação de aves realizada pelos passageiros do cruzeiro, também elevam o risco.

Prevenção

Não há vacina disponível nas Américas. A Organização Pan-Americana da Saúde recomenda impedir a entrada de roedores em ambientes, armazenar alimentos corretamente, manter terrenos limpos, instalar ratoeiras comuns e higienizar frutas e latas de bebida. Lavar as mãos após manusear objetos em áreas possivelmente contaminadas é essencial.

Cuidados em locais suspeitos

Antes de entrar em espaços que possam conter excretas de roedores, é indicado ventilá-los por 30 minutos. A limpeza deve ser feita com solução de água sanitária (uma parte para dez de água) ou detergente. Varrer é desaconselhado, pois espalha partículas contaminadas. Durante todo o processo, use luvas de borracha ou plástico.

Até o momento, a OMS continua monitorando a situação do MV Hondius e investigando a cadeia de transmissão a bordo.

Com informações de Folha de S.Paulo

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