Estudos apontam relação entre capsulite adesiva e menopausa

Pesquisas publicadas na última década sugerem que a chamada “capsulite adesiva”, popularmente conhecida como ombro congelado, ocorre com maior frequência em mulheres entre 40 e 60 anos, exatamente o período de transição para a menopausa. Especialistas investigam se a queda dos níveis de estrogênio, típica dessa fase, participa do desencadeamento da doença.

Inflamação e perda de mobilidade

A capsulite adesiva aparece quando a cápsula que envolve a articulação do ombro inflama, engrossa e endurece, causando dor intensa e limitação progressiva dos movimentos. “A cápsula perde a elasticidade e encolhe, comprometendo o movimento do braço”, explica o ortopedista Sandro da Silva Reginaldo, especialista em ombro do Hospital Israelita Albert Einstein, em Goiânia.

Dados da Academia Americana de Médicos de Família estimam que a condição afete de 2% a 5% da população geral.

Hormônios em foco

Com a menopausa, a redução brusca do estrogênio pode elevar citocinas inflamatórias, estimular fibroblastos — células que produzem tecido fibroso — e diminuir o líquido sinovial, responsável pela lubrificação das articulações. Uma revisão publicada em 2025 no Journal of Clinical Medicine indica que falhas na sinalização desse hormônio enfraquecem mecanismos anti-inflamatórios e antifibróticos, deixando mulheres na peri e pós-menopausa mais suscetíveis ao ombro congelado.

Em um estudo com 2.000 voluntárias de 45 a 60 anos, o uso de terapia de reposição hormonal foi associado à redução do risco de desenvolver a doença, enquanto a ausência do tratamento elevou essa probabilidade. Mesmo assim, Reginaldo ressalta que ainda não há prova definitiva de causa e efeito.

Outros fatores de risco

Metanálise britânica de 2016 mostrou que pessoas com diabetes têm risco cinco vezes maior de apresentar capsulite adesiva; cerca de 30% dos pacientes com o problema eram diabéticos. Pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia detectou prevalência significativa de hipotireoidismo entre os portadores da condição. Baixo índice de massa corporal, colesterol elevado e estresse também aparecem em levantamentos recentes.

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Imagem: Internet

Evolução em três etapas

A doença costuma avançar em fases: primeiro surge dor intensa; depois vem o “congelamento”, com perda de mobilidade; por fim ocorre o “descongelamento”, quando o movimento retorna gradualmente. O ciclo pode durar de alguns meses a até três anos e, na maioria dos casos, é autolimitado.

Opções de tratamento

Analgésicos, anti-inflamatórios, bloqueios anestésicos e fisioterapia lideram as recomendações médicas. “Se o paciente ainda sente muita dor, forçar o ombro pode piorar a inflamação. Na fase em que a dor cede, os exercícios são fundamentais para recuperar o movimento”, orienta Reginaldo. Cirurgia é reservada a situações que não respondem ao tratamento clínico.

Turismóloga de 43 anos, Camila Gil passou por fisioterapia durante um ano em cada ombro após diagnóstico de capsulite adesiva bilateral. Hoje, relata estar praticamente sem dor e com mobilidade quase total, mas afirma que começou a acompanhar de perto as mudanças hormonais associadas à menopausa.

Com informações de Folha de S.Paulo

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