Produtos de autobronzeamento ganharam popularidade por prometerem pele dourada sem exposição aos raios ultravioleta, mas ainda geram dúvidas sobre possíveis danos à saúde. Dermatologistas norte-americanos ouvidos por veículos internacionais afirmam que, embora faltem estudos extensivos em humanos, esses cosméticos são considerados mais seguros que o bronzeamento ao sol ou em câmaras.
Ingrediente principal
A maior parte dos autobronzeadores contém di-hidroxiacetona (DHA), carboidrato simples pesquisado na década de 1920 como possível tratamento para diabetes. Ao entrar em contato com células mortas da pele, o DHA provoca escurecimento temporário — efeito que dura alguns dias. Alguns fabricantes adicionam eritrulose para prolongar o tom.
Nos Estados Unidos, a FDA aprovou o DHA como aditivo de cor para uso externo em 1973, exigindo menos dados de segurança que os aplicados a medicamentos ou alimentos. Pesquisas in vitro mostram que concentrações altas da substância podem gerar radicais livres ligados a envelhecimento precoce e câncer, mas os níveis testados superam os presentes nos cosméticos.
O que se sabe até agora
Henry Lim, dermatologista em Detroit, destaca que o produto é utilizado há décadas sem relatos de efeitos graves. No entanto, Natalie Gassman, da Universidade do Alabama em Birmingham, lembra que nenhum estudo com pessoas descartou totalmente a hipótese de dano cutâneo se o uso for prolongado.
Segundo Dara Spearman, dermatologista em Indiana, pesquisas indicam que o DHA fica restrito às camadas superficiais da pele e não alcança células vivas. Ainda assim, podem ocorrer irritações, alergias ou acne em indivíduos suscetíveis.
Recomendações de aplicação
• Use apenas externamente; não inale, ingira ou aplique próximo a olhos, lábios, narinas ou genitais.
• Prefira cremes e espumas para reduzir o risco de inalação. Se optar por spray, borrife nas mãos e espalhe no corpo, aconselha Lim.
• Quem tem pele sensível ou eczema deve testar em pequena área e aguardar 24 a 48 horas, sugere Spearman.
• Evite aplicar sobre pele machucada ou irritada.
• Gestantes e lactantes devem consultar o médico antes do uso.
Imagem: Internet
Proteção solar continua indispensável
Mesmo após o autobronzeamento, Whitney Bowe, dermatologista em Nova York, recomenda filtro solar de amplo espectro com FPS 30 ou superior, roupas com proteção UV e busca por sombra. Para ela, entre exposição deliberada aos raios ultravioletas e uso de autobronzeador, a segunda opção é claramente preferível.
Até o momento, especialistas concordam que o bronzeado artificial, quando aplicado corretamente, representa alternativa menos arriscada do que tomar sol ou recorrer a câmaras bronzeadoras.
Com informações de Folha de S.Paulo





