Estudo alerta que Veneza pode desaparecer sem intervenção urgente contra inundações

Um estudo divulgado em abril na revista Scientific Reports indica que Veneza corre risco de desaparecer caso medidas de adaptação às mudanças climáticas não sejam adotadas rapidamente. Segundo os pesquisadores, as defesas atuais da cidade italiana devem atingir “limites críticos” ainda neste século.

A equipe, liderada por Piero Lionello, professor da Universidade de Salento, analisou quatro opções para conter a elevação prevista do nível do mar nos próximos 200 anos: uso exclusivo das barreiras móveis já instaladas, construção de diques anulares, fechamento completo da lagoa com barragens permanentes ou realocação definitiva da cidade.

Desafios das estratégias avaliadas

De acordo com Lionello, nenhuma das alternativas atende simultaneamente aos objetivos de preservação do tecido urbano, do ecossistema, da economia e da segurança. Cada proposta resolve parte do problema e compromete outros aspectos.

Os cientistas estimam que, mesmo com uma redução acelerada das emissões globais, o nível do mar em Veneza pode subir cerca de 0,42 metro até 2100 em relação ao início do século XX. No cenário mais grave, essa elevação pode chegar a 1,8 metro.

Limites do sistema existente

O atual sistema de 78 portões móveis, projetado para fechar a entrada de água em marés altas, torna-se insuficiente caso o nível do mar ultrapasse 0,5 metro, afirmam os autores. Com reforços — como a injeção de água do mar em aquíferos profundos para elevar gradualmente solo e lagoa —, a proteção poderia resistir até 1,25 metro.

Sem essas adaptações, soluções como diques permanentes ou o isolamento completo da lagoa ganham força, mas podem inviabilizar o papel histórico de Veneza como porto.

Estudo alerta que Veneza pode desaparecer sem intervenção urgente contra inundações - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Urgência no planejamento

A construção de estruturas de grande porte, como barreiras fixas, pode levar de 30 a 50 anos. Para Lionello, atrasos no planejamento aumentam o risco de as novas defesas não estarem prontas quando necessárias, colocando em jogo não apenas aspectos físicos, mas também institucionais e de cronograma.

Frequência crescente de inundações

Nos últimos 150 anos, Veneza registrou 28 episódios extremos que deixaram 60% da cidade submersa; 18 ocorreram desde 2000. Tommaso Alberti, do Instituto Nazionale di Geofisica e Vulcanologia, destaca que a combinação de elevação do mar, subsidência do solo e tempestades mais intensas tende a tornar frequentes eventos considerados excepcionais.

Alberti reforça que infraestruturas planejadas para climas do passado já não condizem com riscos atuais e futuros. Para ele, sem rápida redução de emissões e ações de adaptação, a magnitude e a frequência dos impactos podem superar a capacidade de gestão.

Com informações de Folha de S.Paulo

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