Duas baleias-jubartes registraram a maior distância já documentada para a espécie, ao percorrerem mais de 14 mil quilômetros entre áreas de reprodução na costa brasileira e na costa leste da Austrália.
O feito é descrito em artigo publicado nesta quarta-feira (20) na revista Royal Society Open Science, assinado pela bióloga Cristina Castro, da ONG Pacific Whale Foundation, e outros pesquisadores.
Identificação pelas marcas da cauda
Para rastrear os cetáceos, a equipe analisou 19.283 fotografias captadas de 1984 a 2005 em águas australianas e latino-americanas. Um algoritmo de reconhecimento de imagem localizou padrões semelhantes na face inferior da cauda — característica única de cada indivíduo, comparável a uma impressão digital humana. As correspondências encontradas foram então confirmadas visualmente.
Primeira baleia
O primeiro animal foi fotografado em 2007 na Baía de Hervey, em Queensland. A mesma jubarte reapareceu ali em 2013 e, seis anos depois, em 2019, foi vista em Ilhabela, litoral de São Paulo. A distância mínima em linha reta entre os dois pontos é de aproximadamente 14,2 mil quilômetros, sem considerar eventuais desvios de rota.
Segunda baleia
O segundo registro mostra o percurso inverso. Essa jubarte foi observada inicialmente em 2003 no arquipélago de Abrolhos, Bahia, dentro de um grupo de nove adultos. Em 2025, o mesmo exemplar foi identificado novamente na Baía de Hervey, após cobrir cerca de 15,1 mil quilômetros.
Recorde anterior superado
Até então, a maior distância conhecida para a espécie era de 13.046 quilômetros, entre a costa pacífica da Colômbia e Zanzibar, no oceano Índico.
Imagem: Internet
Por que algumas baleias desviam da rota?
As populações de jubartes do hemisfério Sul costumam seguir trajetos fixos entre áreas de alimentação em águas frias e locais de reprodução em regiões tropicais ou subtropicais — rotas transmitidas de mães para filhotes. Segundo Castro, mudanças nas condições oceanográficas, perturbações nos habitats de origem e variações na oferta de alimento podem explicar por que alguns indivíduos se afastam desses caminhos tradicionais.
Os autores destacam que, por serem conhecidos apenas os pontos de partida e chegada, não é possível determinar o percurso exato nem a distância total realmente percorrida por cada baleia.
Com a nova marca, os dois cetáceos reforçam a capacidade de longas migrações da espécie e ajudam a compreender como alterações no ambiente podem influenciar seus deslocamentos.
Com informações de Folha de S.Paulo





