Um estudo da Universidade Estadual da Pensilvânia, publicado nesta segunda-feira (20) na revista Nature Neuroscience, sugere que o simples ato de contrair o abdômen durante a prática de atividade física ajuda a impulsionar um mecanismo de “limpeza” do cérebro.
De acordo com o trabalho, cada contração abdominal desloca sangue por meio do plexo venoso vertebral — rede de veias que liga a cavidade abdominal à medula espinhal — gerando uma leve pressão no interior do crânio. Esse impulso faz o cérebro se mover sutilmente e favorece a circulação do líquido cefalorraquidiano (LCR), fluido responsável por proteger o órgão e remover subprodutos da atividade neuronal.
Experimentos em camundongos
Para verificar o fenômeno, os cientistas registraram imagens de alta definição em camundongos vivos por meio de pequenas aberturas no crânio. As gravações mostraram deslocamentos cerebrais sempre que os músculos abdominais eram ativados para iniciar o movimento corporal. Mesmo em animais anestesiados e imóveis, uma leve pressão externa sobre o abdômen reproduziu o mesmo efeito, que cessou assim que a pressão foi retirada.
Simulações computacionais
Modelagens matemáticas coordenadas por Francesco Costanzo apontaram que a movimentação empurra o LCR para o espaço entre o cérebro e o crânio, alterando o padrão de circulação observado durante o sono. Segundo o autor principal, Patrick Drew, embora discreto, esse deslocamento pode ter impacto significativo na saúde cerebral ao auxiliar a remoção de resíduos metabólicos.
Imagem: Internet
Os autores afirmam que compreender como diferentes atividades corporais afetam o fluxo de fluidos no sistema nervoso central pode abrir caminho para novas estratégias de prevenção de doenças neurodegenerativas.
Com informações de Folha de S.Paulo





