Belugas exibem indícios de autorreconhecimento em teste com espelho, aponta pesquisa

Um estudo do Hunter College, em Nova York, indica que belugas (Delphinapterus leucas) conseguem reconhecer a própria imagem em um espelho. Os resultados foram publicados nesta quarta-feira (20) na revista Plos One.

Os pesquisadores analisaram gravações feitas há mais de 20 anos no Aquário de Nova York. Na época, quatro fêmeas – três adultas e uma jovem – foram apresentadas repetidamente a um grande espelho subaquático. As fitas, agora digitalizadas, permitiram reavaliar os comportamentos exibidos durante os testes.

Etapas do teste

Segundo a coordenadora do trabalho, a professora Diane Reiss, animais submetidos ao chamado teste de autorreconhecimento no espelho costumam passar por três fases: interação social com o reflexo, verificação da correspondência entre movimentos e imagem e, finalmente, ações dirigidas ao próprio corpo.

No experimento, duas belugas — Natasha, de 21 anos, e sua filha Maris, de 7 — progrediram pelas três etapas. Elas realizaram movimentos de cabeça repetidos, aproximaram-se do espelho por longos períodos e, posteriormente, adotaram comportamentos incomuns, como rotações corporais, abertura da boca diante do reflexo e manipulação de bolhas.

Teste de marcação

Natasha também foi submetida a um procedimento adicional: recebeu marcas corporais feitas com canetas atóxicas e passou a posicionar a área sinalizada diante do espelho, atitude considerada forte evidência de autorreconhecimento. Maris não repetiu o mesmo desempenho, mas apresentou diversas ações autodirigidas.

Belugas exibem indícios de autorreconhecimento em teste com espelho, aponta pesquisa - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Embora a interpretação desses comportamentos ainda seja tema de debate na ciência do comportamento animal, Reiss destaca que a autoconsciência costuma aparecer em espécies com cérebros volumosos, vida social complexa e possíveis traços de empatia — características observadas em cetáceos como as belugas.

Os autores pretendem ampliar a investigação sobre cognição em mamíferos marinhos e defendem que o conhecimento obtido ajude a embasar políticas de conservação desses animais.

Com informações de Folha de S.Paulo

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