Plataformas digitais e atividades de lazer impulsionam novas amizades depois dos 30 anos

A chegada à vida adulta não impede a formação de novos vínculos. Grupos em redes sociais e hobbies presenciais vêm ganhando espaço como caminhos para driblar a solidão entre pessoas acima de 30 anos.

Um exemplo é o Fun Friends, criado em 2015 pela química Tatiana Nogueira Dias da Silva logo após sua mudança do Rio de Janeiro para São Paulo. Na época com 43 anos, ela abriu a comunidade na plataforma Meetup para conhecer gente nova. Hoje, aos 52, o grupo soma 507 participantes ativos. “Fiz vários amigos para a vida”, afirma.

Benefícios para a saúde

Segundo o psicólogo social alemão Ronald Fischer, pesquisador do Instituto D’Or, amizades adultas favorecem o bem-estar mental, emocional e físico. “O ser humano é hipersocial. Conexões são essenciais para nosso funcionamento”, destaca. Fischer lembra que interações regulares ajudam a prevenir depressão, ansiedade e até demência.

A ausência de laços, por outro lado, aciona o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal, elevando o cortisol e favorecendo inflamações crônicas, observa o pesquisador.

Desafios após os 30

Para a neurologista Roussiane Gaioso, membro da Academia Brasileira de Neurologia, a rotina profissional, familiar e a limitação de tempo dificultam encontros espontâneos depois que escola e universidade ficam para trás. “Há maior seletividade emocional: investe-se energia em relações já consolidadas, o que reduz espaço para novas conexões”, explica.

Hobbies como ponto de encontro

Atividades culturais e esportivas presenciais têm servido de ponte para quem busca ampliar o círculo social. A advogada Marina Tognato, 36, retomou o sapateado no ano passado e encontrou colegas com interesses semelhantes. “É uma sala pequena. Fica fácil conversar”, relata.

Na mesma turma está a economista Fernanda Fonseca, 36, que procurava realizar um desejo de infância e acabou formando uma rede de apoio longe dos parentes. O professor de sapateado Lucas Pedroso, 30, observa que adultos compartilham objetivos específicos de aprendizado, o que fortalece os laços entre eles.

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Imagem: Internet

Consequências da solidão

Relatório recente da Organização Mundial da Saúde indica que solidão e isolamento estão ligados a cerca de 100 mortes por hora no planeta, com idosos entre os mais vulneráveis. Jovens adultos também correm risco ao se afastarem da família e concluírem os estudos, aponta Fischer.

Na faixa de 40 a 60 anos, sobrecarga de trabalho, cuidado simultâneo de filhos e pais, “ninho vazio”, divórcio ou mudanças profissionais contribuem para o isolamento. Grupos como mães de crianças pequenas, pessoas que moram sozinhas ou imigrantes também figuram entre os mais afetados.

Rede virtual vira encontro presencial

A editora de textos Amanda Lenharo di Santis, 40, recorreu ao Meetup após uma sequência de perdas pessoais entre 2018 e 2022. No grupo Socializando SP, passou a frequentar shows, aulas de dança, trilhas e peças de teatro. “Encontrar gente receptiva faz a gente se sentir menos solitário numa metrópole”, resume.

Com informações de Folha de S.Paulo

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