Pesquisadores, profissionais da comunicação, estudantes e representantes da radiodifusão pública iniciaram na quarta-feira (20), no Palácio Gustavo Capanema, centro do Rio de Janeiro, o VII Simpósio Nacional do Rádio. O encontro, que segue até sexta-feira (22), tem como tema “Rádio Nacional 90 anos: memória, inovação e futuros da mídia sonora”.
Promovido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e pelo Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom, o evento propõe reflexões sobre as continuidades e as mudanças do rádio diante das transformações tecnológicas, culturais e políticas da comunicação contemporânea.
Debates iniciais
A abertura ocorreu um dia após o Encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública, que reuniu no Rio representantes de cerca de 330 emissoras públicas e privadas de rádio e televisão. A EBC, responsável pela marca histórica Rádio Nacional, atua como cabeça de rede da comunicação pública brasileira.
As mesas da primeira jornada abordaram memória, inovação tecnológica, produção de conteúdo em áudio, comunicação pública e o alcance social do rádio, especialmente na Amazônia, onde cerca de 80% da população ainda ouve rádio diariamente.
Rádio Nacional da Amazônia em destaque
A radialista Mara Régia foi uma das palestrantes mais aplaudidas. Ela ressaltou a importância histórica da Rádio Nacional da Amazônia para ribeirinhos, indígenas e moradores de áreas isoladas da Região Norte. “O rádio continua sendo companhia, serviço, socorro e pertencimento para quem vive distante dos grandes centros”, afirmou. Para Mara, o veículo chega “onde muitas vezes o Estado não chega”, criando vínculos e garantindo cidadania.
Adaptação e relevância
O jornalista Heródoto Barbeiro destacou que o rádio mantém relevância por sua capacidade de adaptação e pela relação direta com os ouvintes. “O povo ouve rádio. É o grande canal de informação”, disse. Segundo ele, a credibilidade e a agilidade sempre marcaram o meio: “Quando eu era repórter, uma autoridade atendia imediatamente porque era rádio”.
Imagem: Internet
Presença feminina na narração esportiva
A programação de quarta-feira contou ainda com a participação da jornalista esportiva Luciana Zogaib, da Rádio Nacional, reconhecida como a primeira mulher a narrar uma partida de futebol no rádio brasileiro. Ela relatou os desafios em um ambiente historicamente masculino e a importância de abrir caminho para novas gerações de mulheres na comunicação esportiva.
Ao longo do primeiro dia, o simpósio reforçou que, mesmo diante do avanço das plataformas digitais, o rádio segue presente no cotidiano dos brasileiros, sobretudo na Amazônia, onde continua desempenhando papel essencial de informação, serviço e integração social.
Com informações de Agência Brasil





