Linha do tempo revela por que os surtos de hantavírus continuam, apesar de raros e sem tratamento

Família de vírus transmitida por roedores, o hantavírus circula há milênios e mantém presença global mesmo com registros esporádicos da doença em humanos. Não há vacina nem terapia específica, lembra a professora de microbiologia Sabra Klein, da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, que atribui a escassez de pesquisas à baixa frequência dos casos.

Origem do nome

O primeiro surto descrito ocorreu durante a Guerra da Coreia (1951-1954). Cerca de 3.000 soldados posicionados às margens do rio Hantan desenvolveram febre hemorrágica com comprometimento renal, quadro que batizou o agente como “hantavírus”. A partir dessa investigação, cientistas reconheceram episódios anteriores na Sibéria, na Europa das guerras mundiais e no nordeste da China na década de 1930.

Chegada aos Estados Unidos

1993 – Costa Leste
Pesquisadores da Johns Hopkins identificaram uma cepa do chamado “Velho Mundo” em ratos capturados no porto de Baltimore, achado depois confirmado em Nova York e Filadélfia. A hipótese dominante é que esses vírus viajaram em navios de carga.

1993 – Região de Four Corners
No mesmo ano, uma enfermidade letal matou ao menos 15 pessoas em Arizona, Colorado, Novo México e Utah. Tratava-se de um hantavírus nativo, transmitido por ratos-de-campo, que recebeu o nome Sin Nombre e permanece o principal responsável por casos no país.

Expansão na América do Sul

2002 – Chile
A morte de um garoto e de sua avó levou à descoberta do vírus Andes, variante associada à síndrome pulmonar por hantavírus, mais grave que a forma renal típica da Europa e da Ásia.

2018-2019 – Argentina
Em Epuyén, Patagônia, foram notificados 29 casos e 11 óbitos. O episódio apresentou uma das raras transmissões sustentadas de pessoa para pessoa, exigindo quarentena e rastreamento de contatos. Pesquisadores apontam letalidade de até 50% no país.

Casos recentes

2012 – Parque Nacional de Yosemite (EUA)
Dez visitantes contraíram o vírus Sin Nombre em um camping; três faleceram após inalar poeira contaminada por excretas de roedores.

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Imagem: Internet

2025 – Novo México (EUA)
A infecção causou a morte de Betsy Arakawa, esposa do ator Gene Hackman, provavelmente após contato com roedores próximos à residência do casal.

2026 – Navio de cruzeiro no Atlântico
A Organização Mundial da Saúde confirmou dois casos e investigou outros cinco a bordo do M/V Hondius, com três mortes. A embarcação havia saído da Argentina, e especialistas suspeitam da variante Andes. Klein considera mais provável a exposição a roedores antes ou durante a viagem.

“Alguns são hantavírus do Velho Mundo, outros do Novo Mundo; cada um está ligado a espécies de roedores diferentes”, resume a pesquisadora, reforçando que a diversidade viral e a ampla distribuição desses animais dificultam a eliminação definitiva do risco.

Com informações de Folha de S.Paulo

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