O atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) pode estar se propagando com velocidade superior à estimada inicialmente, afirmou a médica Anne Ancia, da Organização Mundial da Saúde (OMS). O vírus, que teve o primeiro caso confirmado em 24 de abril, já provocou 136 mortes e ultrapassa 514 casos suspeitos, segundo as autoridades congolesas. Um óbito foi registrado também em Uganda, país vizinho.
Subnotificação é considerada “substancial”
Modelagem divulgada em 18 de maio pelo Centro MRC de Análise de Doenças Infecciosas Globais, em Londres, indica que o total real de infecções pode superar mil registros, apontando “subnotificação substancial” dos casos. O estudo ressalta que a dimensão exata do surto permanece desconhecida.
População assustada e recursos limitados
Moradores da província de Ituri, epicentro da crise sanitária, relataram à BBC que pessoas infectadas morrem “com muita rapidez”. Bigboy, um dos entrevistados, disse que a comunidade lava as mãos com água limpa, mas carece de máscaras e outros itens de proteção. Na mesma região, Alfred Giza afirmou não saber como proceder caso um parente contraia a doença.
OMS declara emergência internacional
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou o surto como emergência de saúde pública internacional na noite de 16 de maio. A organização já liberou quase US$ 4 milhões (cerca de R$ 20,2 milhões) para ações imediatas, mas reconhece que serão necessários recursos adicionais.
Conflitos armados dificultam resposta
A epidemia atinge áreas fragilizadas por anos de violência. Hospitais foram danificados, milhões de pessoas deixaram suas casas e muitos vivem em condições precárias. A instabilidade também compromete a investigação epidemiológica, segundo Anne Ancia. Casos foram identificados na província vizinha de Kivu do Sul e na cidade de Goma, com cerca de 850 mil habitantes.
Medidas nos países vizinhos
Em razão do avanço da doença, Ruanda fechou fronteiras com a RDC e Uganda orientou a população a evitar abraços e apertos de mão. Diversos países reforçam triagens em postos fronteiriços e preparam centros de tratamento para possíveis contaminados.
Evacuação de estrangeiros
Um cidadão norte-americano com sintomas foi transferido da RDC para tratamento na Alemanha. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) informou que ao menos outros seis norte-americanos expostos ao vírus devem ser evacuados.
Imagem: Internet
Vírus sem vacina específica
O surto é provocado pela espécie Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina. A OMS avalia o uso de medicamentos experimentais. Os sintomas iniciais lembram os da gripe — febre, cefaleia e cansaço —, evoluindo para vômitos, diarreia e, em alguns casos, hemorragias internas e externas. A transmissão ocorre pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas.
Entre 2014 e 2016, o ebola causou mais de 28,6 mil infecções e 11.325 mortes na África Ocidental, no maior surto já registrado desde a descoberta do vírus, em 1976.
As autoridades congolesas mantêm campanhas de informação e pedem que qualquer pessoa com sintomas procure a unidade de saúde mais próxima.
Com informações de Folha de S.Paulo





