Diretor da AEB defende persistência e parcerias para colocar foguete brasileiro em órbita

O Brasil mantém planos de chegar à órbita com tecnologia própria desde 1961, ano em que foi criado o embrião do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mais de seis décadas depois, o país ainda não lançou um foguete 100% nacional ao espaço. Para Rogério Luiz Veríssimo Cruz, diretor de Governança do Setor Espacial da Agência Espacial Brasileira (AEB), o caminho exige insistência. “O sucesso na atividade espacial sorri para aqueles que não desistem. É uma área cara e politicamente difícil de sustentar”, afirmou.

Recursos em queda

O orçamento da AEB vem caindo desde o pico, entre 2004 e 2006, quando chegava a cerca de R$ 500 milhões anuais. Em 2022, ficou próximo de R$ 110 milhões; para 2023, estão previstos R$ 139 milhões.

Trauma e lições

O setor ainda carrega o impacto do acidente de 22 de agosto de 2003, quando a explosão do foguete VLS-1 V03 no Centro de Lançamento de Alcântara (MA) matou 21 pessoas. “No espaço, desistir não é opção; o risco é elevado e os recursos, vultosos”, lembrou Veríssimo Cruz.

Cooperação internacional

Entre as apostas do Brasil estão acordos com outros países. O Brasil é signatário do programa Artemis, da Nasa, desde 2021, e participa de iniciativas como o space farming, conduzido pela Embrapa, que pesquisa o cultivo de batata-doce e grão-de-bico em ambientes fechados para abastecer missões tripuladas.

A parceria com a China também é citada pelo diretor como decisiva para o desenvolvimento de câmeras que permitem ao Inpe monitorar desmatamento e queimadas na Amazônia e no Cerrado.

Microlançador Brasileiro

Para incentivar a indústria nacional, a AEB firmou contrato de R$ 189 milhões com um consórcio de cinco empresas liderado pela Cenic Engenharia, de São José dos Campos (SP), para construir o Microlançador Brasileiro (MLBR). O veículo terá 12 m de altura, 1,1 m de diâmetro, três estágios a propelente sólido e capacidade de levar 40 kg a 450 km de altitude.

Segundo Ralph Correa, diretor da Cenic, o objetivo é colocar o Brasil no mercado de lançamentos de pequenos satélites, repetindo a trajetória que levou à criação da Embraer.

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Imagem: Internet

Modelo “new space”

A AEB quer replicar a dinâmica observada nos Estados Unidos, onde empresas privadas assumem papel central. Enquanto a SpaceX, de Elon Musk, fatura cerca de US$ 15 bilhões por ano, a agência brasileira dispõe de US$ 27,7 milhões (R$ 139 milhões). A Nasa opera com aproximadamente US$ 24 bilhões anuais.

Fuga de cérebros

A diferença de investimentos estimula a migração de profissionais para o exterior. Brasileiros ocupam postos de destaque na Nasa, caso da geóloga planetária Rosaly Lopes e do engenheiro Ramon Perez De Paula. “Projetos com aporte regular de recursos seriam fundamentais para reter talentos; atrasos geram frustração e perda de especialistas”, avaliou Veríssimo Cruz.

Apesar dos desafios orçamentários e da concorrência internacional, a AEB aposta na combinação de persistência, cooperação externa e iniciativa privada para, enfim, lançar um foguete nacional de alcance orbital.

Com informações de Folha de S.Paulo

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