Até 18 de abril deste ano, o Brasil registrou 4.658 hospitalizações por infecções provocadas pelo vírus influenza, de acordo com o Ministério da Saúde. O número representa alta de 92,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 2.414 internações. As mortes também avançaram: passaram de 259 para 285, aumento de 10,03%.
Entre os óbitos está o de um adolescente de 13 anos, morador de Sorocaba (SP). Segundo a prefeitura, o garoto não tinha doenças preexistentes e não havia sido vacinado contra a gripe.
Crescimento antecipado dos casos
O boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica que as infecções por influenza A continuam em ascensão no Centro-Sul — que inclui Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina — e em partes do Nordeste (Paraíba, Alagoas e Sergipe) e Norte (Amapá, Acre e Rondônia). Há tendência de queda no Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Pará e Rio de Janeiro.
“A gripe costuma ganhar força no fim de maio e em junho. Neste ano, porém, o aumento foi observado já no fim de março e início de abril”, afirma Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e secretário de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Para o especialista, o cenário de 2026 é mais preocupante do que o de 2025.
Vacinação e grupos de risco
Idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas e imunossuprimidos seguem como públicos mais vulneráveis a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pelo influenza. Kfouri ressalta que entre 75% e 80% das mortes ocorrem nesses grupos.
Álvaro Furtado, infectologista e integrante da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), afirma que a baixa adesão de pessoas com mais de 60 anos e comorbidades preocupa: “São justamente os pacientes que internam com quadros graves de influenza”. Ele defende campanhas que reforcem a importância do imunizante para evitar hospitalizações e óbitos.
O Ministério da Saúde informou que, por enquanto, a vacinação gratuita concentra-se nos grupos prioritários — crianças, gestantes e idosos — mas poderá ser ampliada de acordo com o cenário epidemiológico e a disponibilidade de doses. A expectativa de especialistas é que a liberação para toda a população acima de seis meses ocorra, novamente, por volta de meados de maio.
Imagem: Internet
Cobertura vacinal
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza segue até 30 de maio nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Até 24 de abril, 21,36% do público-alvo nessas áreas havia sido imunizado. No Norte, onde o “inverno amazônico” concentra a maior circulação do vírus no fim do ano, a atual etapa da campanha começou em novembro de 2025 e atingiu 41,90% de cobertura.
Sintomas, complicações e quem pode se vacinar
Os primeiros sinais da gripe incluem coriza, tosse, dores no corpo, dor de garganta, dor de cabeça, mal-estar e febre. Falta de ar, cansaço excessivo e sonolência podem indicar evolução para quadro grave. Pneumonia, sinusite, otite, desidratação e agravamento de doenças crônicas estão entre as complicações possíveis.
Podem receber a vacina pelo Sistema Único de Saúde (SUS) os seguintes grupos:
- Idosos;
- Crianças de seis meses a menores de seis anos;
- Gestantes e puérperas;
- Trabalhadores da saúde;
- Professores;
- Povos indígenas;
- Pessoas em situação de rua;
- Profissionais das forças de segurança e das Forças Armadas;
- Pessoas com doenças crônicas ou deficiência permanente;
- Caminhoneiros e trabalhadores do transporte coletivo;
- Trabalhadores portuários;
- Funcionários e população do sistema prisional, incluindo adolescentes sob medidas socioeducativas.
Para quem não se enquadra nesses critérios e tem condições financeiras, especialistas recomendam buscar a imunização na rede privada o quanto antes.
Com informações de Folha de S.Paulo





