O foguete New Glenn, da Blue Origin, decolou no domingo, 19 de abril, a partir da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, Flórida, e pousou o propulsor com sucesso em uma balsa no Atlântico. Horas depois, porém, a empresa confirmou que a missão fracassou em seu objetivo principal: colocar em órbita correta o satélite de comunicações BlueBird 7, da AST SpaceMobile.
A companhia texana informou que o satélite ficou em uma órbita “baixíssima para sustentar operações” e foi dado como perdido. Segundo o astrofísico Jonathan McDowell, a Força Espacial dos EUA registrou que o objeto reentrou na atmosfera já na segunda-feira, 20 de abril.
Investigação e paralisação
A Blue Origin abriu investigação sobre a falha, supervisionada pela Administração Federal de Aviação (FAA). Até a conclusão do inquérito, o New Glenn está proibido de voar. “Pode levar três, quatro meses ou mais”, estimou Todd Harrison, pesquisador sênior do American Enterprise Institute. Atrasos superiores a esse prazo, segundo ele, começarão a afetar o programa lunar Artemis, da Nasa.
Impacto no programa Artemis
A agência espacial norte-americana contratou a Blue Origin para desenvolver o módulo de pouso Blue Moon Mark 2, que levará astronautas da órbita lunar à superfície na missão Artemis 3. O veículo será lançado justamente por um New Glenn. Caso o foguete permaneça em solo por meses, cresce o risco de o módulo não ficar pronto a tempo.
A Blue Origin também planeja enviar ainda neste ano um pousador menor, o Mark 1, para testar tecnologias que serão usadas no Mark 2. O cronograma desse voo de demonstração igualmente fica em dúvida.
Detalhes da falha em voo
Durante o lançamento, uma interrupção a menos de quatro minutos da decolagem foi resolvida sem explicações públicas. O propulsor reutilizado — o mesmo do voo inaugural em novembro, mas com sete motores novos — separou-se normalmente e pousou na plataforma flutuante Jacklyn, batizada em homenagem à mãe de Jeff Bezos.
Imagem: Internet
O segundo estágio deveria religar-se 70 minutos depois do lançamento, por 68 segundos, para inserir o satélite na órbita final. Na segunda-feira, 20 de abril, o CEO Dave Limp informou na rede X que “um dos dois motores não gerou empuxo suficiente para alcançar a órbita-alvo”.
Próximos passos da Nasa
Prevista para o próximo ano, a Artemis 3 será uma missão em órbita da Terra destinada a ensaiar o acoplamento entre a cápsula tripulada Orion e os pousadores da SpaceX e da Blue Origin, lançados separadamente. O exercício exige três lançamentos em sequência e coordenação precisa entre todas as partes. Se o New Glenn continuar sem voar, a Nasa poderá optar por adiar a missão ou conduzi-la sem a participação da Blue Origin.
Com informações de Folha de S.Paulo





