Bebê neandertal de Israel revela crescimento acelerado e corpo maior que o de humanos modernos

Um estudo publicado em 15 de abril na revista Current Biology indica que os neandertais apresentavam um ritmo de crescimento muito mais rápido que o dos Homo sapiens. A conclusão parte da análise do esqueleto de Amud 7, um bebê neandertal de aproximadamente seis meses de idade encontrado na caverna de Amud, no norte de Israel, perto do mar da Galileia.

O conjunto de 111 ossos — descoberto por arqueólogos em 1992, mas investigado detalhadamente apenas agora — mostra que, apesar da pouca idade, Amud 7 tinha porte equivalente ao de uma criança humana moderna de 12 a 14 meses. Além disso, o volume craniano era superior ao esperado e os membros superavam os de qualquer bebê Homo sapiens da mesma faixa etária.

Idade definida pelos dentes

Para determinar a idade exata, a equipe liderada pela professora Ella Been, do Ono Academic College (Israel), examinou as “marcas diárias” preservadas no esmalte dos dentes em formação. Essas linhas microscópicas permanecem intactas por milhares de anos e, segundo Been, oferecem a estimativa mais confiável para indivíduos tão jovens.

Pesquisas anteriores com outros três bebês neandertais apontaram o mesmo padrão de crescimento rápido e sugeriram introdução de alimentos sólidos por volta dos cinco a seis meses de vida. “Perceber esse padrão ajuda a entender quem eram os neandertais e como se adaptavam ao ambiente”, destacou Been.

Possível resposta ao frio

Corpos maiores armazenam calor com mais eficiência, hipótese que pode explicar o desenvolvimento acelerado de bebês neandertais que viviam em regiões frias da Europa e da Ásia. Já os Homo sapiens se originaram em áreas africanas mais quentes, onde tal adaptação não seria necessária.

Bebê neandertal de Israel revela crescimento acelerado e corpo maior que o de humanos modernos - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

O antropólogo físico Daniel García, da Universidade Complutense de Madri, que não participou da pesquisa, observa que alguns especialistas ainda discutem se essas diferenças eram universais. Contudo, fósseis encontrados na França e na Rússia reforçam o mesmo padrão descrito em Amud 7.

Os autores ressaltam que o crescimento inicial acelerado não significa que bebês neandertais começassem a andar ou falar antes dos humanos modernos. Evidências sugerem que, por volta dos sete anos, o desenvolvimento corporal e dentário de ambas as espécies se aproximava.

Com informações de Folha de S.Paulo

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