A presença de mulheres mais velhas tornou-se o principal sinal de inclusão na temporada internacional de moda encerrada no mês passado. Pela primeira vez, a revista Vogue estampa na capa duas mulheres de 76 anos – a atriz Meryl Streep e a editora-chefe Anna Wintour – enquanto grandes grifes levaram para a passarela um número inédito de modelos com sinais visíveis de envelhecimento.
Passarelas com cabelos grisalhos
De acordo com o mecanismo de busca Tagwalk, todas as 20 marcas de maior destaque da temporada apresentaram ao menos uma modelo acima dos 40 anos, contra apenas 5% que exibiram manequins plus size. Os desfiles registraram os seguintes números de profissionais maduras:
- Chanel: 15 modelos, com abertura feita por Stephanie Cavalli, 50;
- Bottega Veneta: 9;
- Tom Ford: 9 (entre mulheres e homens);
- Givenchy: 8;
- Balenciaga: 5;
- Louis Vuitton: 4.
Além delas, nomes consagrados voltaram a desfilar: Kate Moss, 52, surgiu na Gucci; Gillian Anderson, 57, encerrou o desfile da Miu Miu; e a Carolina Herrera levou à passarela sete figuras do mundo da arte, como Ming Smith, 79, e Amy Sherald, 52.
Idade valorizada também na primeira fila
Fora das passarelas, as marcas passaram a exibir convidadas veteranas na primeira fila. Na Celine, o estilista Michael Rider colocou Joan Juliet Buck, 77, ao lado de Naomi Watts, Sarah Paulson e Tracee Ellis Ross, todas quinquagenárias. Na Loewe, Sissy Spacek, 76, fez sua estreia na Semana de Moda de Paris.
Reação ao retoque digital
Especialistas veem a mudança como resposta a anos de imagens excessivamente editadas. Para a ex-modelo Romae Gordon, 52, que voltou a desfilar no último ano por Versace e Chanel, “mulheres mais velhas querem se enxergar e reconhecer suas vivências na moda”. Talisa Carling, diretora da IMG Models, informa que a busca por rostos maduros aumentou a ponto de a agência descobrir uma nova modelo sexagenária em um supermercado no interior da França.
Mercado grisalho em alta
Consultorias apontam razões financeiras para o fenômeno. Gemma D’Auria, da McKinsey, lembra que consumidores acima de 50 anos concentram metade do poder de compra global do luxo. Dados do Federal Reserve mostram que pessoas com mais de 55 anos detêm mais de 70% da riqueza dos Estados Unidos e respondem por cerca de 45% dos gastos de consumo.
Imagem: Internet
“Venha como você é”
Diretores criativos reforçam a mensagem de autenticidade. Matthieu Blazy, da Chanel, afirmou que não quis rejuvenescer artificialmente suas modelos, e Pierpaolo Piccioli, da Balenciaga, declarou ser “um símbolo de força e poder” exibir mulheres que têm orgulho da própria idade.
Enquanto nomes como Paulina Porizkova, 61, mostram rugas e cabelos prateados nas redes sociais, o setor parece descobrir que maturidade também vende – e desfila.
Com informações de Folha de S.Paulo





